Tempestades em Portugal tornam-se caso-estudo europeu das mudanças climáticas

Fenómeno que afetou a Península Ibérica e o Norte de África não foi um episódio isolado

Revista de Imprensa

O recente ‘comboio de tempestades’ que atingiu Portugal foi apontado internacionalmente como um exemplo claro do agravamento dos impactos das alterações climáticas. O alerta, de acordo com o ‘Jornal de Notícias’, consta do mais recente relatório do programa europeu Copernicus, especializado na monitorização meteorológica e climática, que sublinha a necessidade urgente de ação global.

De acordo com o relatório, divulgado esta semana, o fenómeno que afetou a Península Ibérica e o Norte de África não foi um episódio isolado. Os investigadores alertam que episódios semelhantes poderão tornar-se mais frequentes no futuro.

Tempestades provocaram inundações e danos generalizados

Segundo o documento, o mês de fevereiro ficou marcado por uma série de tempestades intensas e episódios de precipitação extrema que atingiram sobretudo a Europa Ocidental e o Norte de África.

Portugal, França, Espanha e Marrocos registaram condições meteorológicas excecionalmente húmidas, que provocaram inundações graves, danos generalizados e perdas humanas e económicas.

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Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, citada pelo Copernicus, explicou que a Europa viveu fortes contrastes térmicos associados a fenómenos atmosféricos invulgares. Entre eles destacam-se rios atmosféricos intensos — faixas estreitas de ar extremamente húmido — que originaram precipitações superiores a máximos anteriormente registados.

Fevereiro foi o mais chuvoso em 47 anos

Em Portugal, os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmam a dimensão excecional do fenómeno. O mês de fevereiro foi o mais chuvoso dos últimos 47 anos e o oitavo mais quente desde que existem registos meteorológicos sistemáticos no país, iniciados em 1931.

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A precipitação atingiu 241,7 milímetros, cerca de três vezes acima da média de referência. A temperatura média nacional situou-se nos 11,58 graus Celsius.

Temperaturas globais continuam acima dos níveis históricos

A nível global, o Copernicus indica que fevereiro foi o quinto mês mais quente alguma vez registado. As temperaturas médias ficaram cerca de 1,49 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Na Europa, contudo, as temperaturas médias ficaram ligeiramente abaixo do habitual, registando uma anomalia de menos 0,07 graus Celsius — ainda assim entre as três mais baixas dos últimos 14 anos.

Chuvas intensas agravaram os impactos das tempestades

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Uma análise da rede científica internacional World Weather Attribution concluiu que os danos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal se devem sobretudo à intensidade das chuvas associadas aos sistemas depressivos.

Apesar de os ventos fortes terem contribuído para os estragos, os investigadores sublinham que as precipitações intensas provocaram inundações em várias regiões. A saturação prévia dos solos agravou ainda mais o risco de cheias.

Especialistas pedem melhorias nos sistemas de alerta

Os especialistas reconhecem que os alertas meteorológicos antecipados permitiram às autoridades agir com alguma antecedência, reduzindo os impactos nas populações e no número de vítimas.

Ainda assim, defendem melhorias na coordenação futura dos sistemas de alerta e resposta. Segundo os investigadores, será essencial alinhar melhor as previsões meteorológicas com avaliações de vulnerabilidade e projeções climáticas, tanto a nível nacional como municipal.

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