“Tempestade política em Portugal”. Jornal espanhol destaca polémica dos refugiados na Câmara de Setúbal

Esta terça-feira, o jornal espanhol ‘El País’ dedicou um artigo ao tema. 

Simone Silva

A polémica do acolhimento de refugiados ucranianos por russos pró Putin na Câmara de Setúbal tem marcado a imprensa nacional e não só. Esta terça-feira, o jornal espanhol ‘El País’ dedicou um artigo ao tema.

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“Há algumas semanas que Portugal assiste a uma tempestade política sobre a gestão do acolhimento de refugiados em algumas câmaras municipais, que delegaram assistência nas mãos de cidadãos russos estabelecidos no país”, escreve.

O jornal foca-se na autarquia de Setúbal, onde diz residir “o foco principal” do problema. “Governada em minoria pela Coligação Democrática Unitária (CDU), uma aliança eleitoral do Partido Comunista Português e do PEV, que deixou parte do processo de acolhimento em mãos da Associação de Imigrantes dos Países de Leste (Edinstvo), fundada por Igor Khashin, antigo presidente do Centro Cultural Russo em Portugal”.

No artigo foram destacadas as “buscas da PJ realizadas esta manhã nos gabinetes municipais de Setúbal, onde são recebidos os deslocados da guerra e onde Khashin e a sua mulher, Yulia Kashina, contratados pela Câmara Municipal de Setúbal antes da invasão russa, cuidaram de cerca de 160 ucranianos desde o início do conflito”.

“Vários deslocados garantiram que os seus documentos foram fotocopiados e foram solicitadas informações sobre os próprios e familiares que ainda estavam na Ucrânia”, afirma, destacando o facto de “Khashin ter boas relações com o Kremlin. Em 2014 defendeu a anexação da península da Crimeia pela Rússia e foi também o ano em que organizou um encontro de emigrantes russos na Europa em Lisboa”.

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Para além desta polémica, o ‘El País’ recordou ainda “o que aconteceu no ano passado na Câmara Municipal de Lisboa, então presidida pelo socialista Fernando Medina, atual ministro das Finanças no Governo de António Costa”.

“A instituição disponibilizou dados pessoais dos organizadores de uma manifestação a favor do opositor russo Alexei Navalny à Embaixada da Rússia em Portugal. Na sequência de uma investigação, a Comissão de Proteção de Dados concluiu que foram cometidas 225 violações, pois descobriu-se que informações semelhantes foram fornecidas às Embaixadas de Angola, China, Irão e Arábia Saudita, entre outros países”, recorda.

O jornal sublinha ainda que este episódio “também aumentou a pressão sobre o PCP, isolado desde que a Rússia invadiu a Ucrânia pela sua posição neste conflito. Os deputados comunistas estiveram ausentes da Assembleia da República a 21 de abril durante a intervenção por videoconferência do presidente da Ucrânia”.

Recorde-se que a polémica sobre o envolvimento de dois cidadãos russos pró-Putin na receção a refugiados ucranianos na câmara de Setúbal, foi denunciada pelo jornal Expresso, que avançou que os refugiados terão sido questionados sobre os familiares que ficaram na Ucrânia quando foram recebidos na Câmara de Setúbal.

Segundo o jornal, para além do inquérito, os dois russos fotocopiaram documentos dos refugiados da guerra iniciada em 24 de fevereiro com a invasão militar russa da Ucrânia e pelo menos 160 refugiados ucranianos já teriam sido recebidos por estes elementos.

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Esta terça-feira, as instalações da Linha Municipal de Apoio a Refugiados (LIMAR), da Câmara Municipal de Setúbal, foram alvo de buscas, por parte da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito de um mandato judicial emitido pela Procuradoria da República da Comarca de Setúbal.

Foi apreendida “diversa documentação” e efetuadas “pesquisas informáticas” nas buscas hoje realizadas. “No decurso das buscas foi apreendida para análise diversa documentação e foram efetuadas pesquisas informáticas sobre dados relacionados com os crimes em investigação”, revelou o Ministério Público.

Isto aconteceu no mesmo dia em que a Assembleia Municipal de Setúbal aprecia duas moções de censura ao executivo camarário liderado pela CDU, devido à mesma polémica, pedidas pelo PS e PSD.

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