2023 tem condições para uma “tempestade perfeita”, segundo garantiu Nouriel Roubini, conhecido como “Dr. Doom” – profeta da desgraça, ou ‘Dr. Apocalipse’ – por ter previsto o crash do imobiliário em 2007 e a consequente crise financeira de 2008: para o economista, não só os mercados vão ser atingidos por uma recessão mas também haverá uma crise da dívida e a inflação vai entrar numa espiral descontrolada.
O especialista tem alertado, há meses, para uma crise estagflacionária da dívida, que combina os piores aspetos da estagflação ao estilo dos anos 1970 e a crise da dívida de 2008. “Acredito que vai surgir este ano uma crise estagflacionária”, apontou Roubini, em entrevista ao ‘ABC’ da Austrália esta quinta-feira.
Com a inflação ao consumidor ainda estável em 6,4%, Roubini estimou que o Federal Reserve (Fed) precisaria subir as taxas de referência “bem acima” de 6% para que a inflação caísse para a sua meta de 2%. No entanto, explicou, isso pode desencadear uma recessão severa, a queda do mercado de ações e uma explosão de incumprimento da dívida, deixando as autoridades sem escolha que não recuar na sua luta contra a inflação e deixar os preços saírem do controlo, acrescentou. O resultado seria, ainda assim, uma forte recessão de qualquer maneira, seguida por mais problemas de dívida e inflação.
“Agora estamos a enfrentar a tempestade perfeita: inflação, estagflação, recessão e uma possível crise da dívida”, alertou Roubini, que se mostrou pessimista em relação à economia, apesar da crescente esperança do mercado de que os Estados Unidos possam contornar uma recessão em 2023.
Embora diversos especialistas mais otimistas tenham defendido uma recuperação saudável do S&P 500, que caiu 20% no ano passado, Roubini já havia alertado que o índice de ações de referência poderia cair outros 30%, à medida que os investidores lutam contra condições macroeconómicas extremas. “Vão continuar a cair”, avisou, instando os investidores a protegerem-se através de hedges de inflação, com oouro, títulos anexados à inflação e títulos de curto prazo.














