“Tempestade perfeita” de recessão, dívida e inflação fora de controlo vai chegar aos mercados em 2023, alerta “Dr. Doom”

Nouriel Roubini tem alertado, há meses, para uma crise estagflacionária da dívida, que combina os piores aspetos da estagflação ao estilo dos anos 1970 e a crise da dívida de 2008

Francisco Laranjeira

2023 tem condições para uma “tempestade perfeita”, segundo garantiu Nouriel Roubini, conhecido como “Dr. Doom” – profeta da desgraça, ou ‘Dr. Apocalipse’ – por ter previsto o crash do imobiliário em 2007 e a consequente crise financeira de 2008: para o economista, não só os mercados vão ser atingidos por uma recessão mas também haverá uma crise da dívida e a inflação vai entrar numa espiral descontrolada.

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O especialista tem alertado, há meses, para uma crise estagflacionária da dívida, que combina os piores aspetos da estagflação ao estilo dos anos 1970 e a crise da dívida de 2008. “Acredito que vai surgir este ano uma crise estagflacionária”, apontou Roubini, em entrevista ao ‘ABC’ da Austrália esta quinta-feira.

Com a inflação ao consumidor ainda estável em 6,4%, Roubini estimou que o Federal Reserve (Fed) precisaria subir as taxas de referência “bem acima” de 6% para que a inflação caísse para a sua meta de 2%. No entanto, explicou, isso pode desencadear uma recessão severa, a queda do mercado de ações e uma explosão de incumprimento da dívida, deixando as autoridades sem escolha que não recuar na sua luta contra a inflação e deixar os preços saírem do controlo, acrescentou. O resultado seria, ainda assim, uma forte recessão de qualquer maneira, seguida por mais problemas de dívida e inflação.

“Agora estamos a enfrentar a tempestade perfeita: inflação, estagflação, recessão e uma possível crise da dívida”, alertou Roubini, que se mostrou pessimista em relação à economia, apesar da crescente esperança do mercado de que os Estados Unidos possam contornar uma recessão em 2023.

Embora diversos especialistas mais otimistas tenham defendido uma recuperação saudável do S&P 500, que caiu 20% no ano passado, Roubini já havia alertado que o índice de ações de referência poderia cair outros 30%, à medida que os investidores lutam contra condições macroeconómicas extremas. “Vão continuar a cair”, avisou, instando os investidores a protegerem-se através de hedges de inflação, com oouro, títulos anexados à inflação e títulos de curto prazo.

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