Tempestade Perfeita: Arguidos queriam “bens materiais”, “vida boa” e cargos “com potencial”, revelam escutas da PJ

Para além da Direção-Geral de Finanças e do Tesouro, outra alternativa seriam os cargos que poderiam ocupar com a troca de funções decorrente das autárquicas de 2021.

Revista de Imprensa
Setembro 27, 2023
9:44

As escutas da PJ aos arguidos da Operação Tempestade Perfeita, que investiga suspeitas de participação num esquema de corrupção ligado a obras em quartéis e outras instalações militares, incluindo as de reabilitação do Hospital militar de Belém, revelam que os acusados procuravam cargos na Administração Pública que lhes garantissem um bom salário e que tivessem o que chamam de “potencial” de assegurar-lhes bons negócios.

Por exemplo, Francisco Marques, então diretor de Serviços de Infraestruturas e Património, foi apanhado em setembro de 2021, segundo o Público, numa conversa com Paulo Branco, que era diretor de Serviços de Gestão Financeira e Apoio, a dizer: “Basicamente sou uma p***. Obviamente o que eu quero é ter bens materiais, sentir a minha vida boa”. Está acusado, assim como Branco, de crimes de corrupção, branqueamento e falsificação de documento.

Após demitido, Paulo Branco estava na Direção-Geral de Finanças e do Tesouro, graças a Miguel Santos, subdiretor-geral, que seria da sua rede de contactos, ainda que a PJ não tenha ainda encontrado rasto oficial desta colocação. Os investigadores acreditam que, neste organismo, preparava-se para continuar o esquema de adjudicação de empreitadas e serviços a empresários da sua confiança, que depois retribuíam os favores.

Noutra conversa, no mesmo dia, Paulo Branco dizia que a Direção-Geral do Tesouro “tem potencial”.

O grupo estava a perder influência no Ministério da Defesa, com a saída de Alberto Coelho, principal arguido no processo, da Direção-Geral dos Recursos da Defesa para a ETI, empresa que integra a holding IDD-Portugal Defense, das Indústrias da Defesa, e com a demissão de Paulo Branco.

No entanto, para além da Direção-Geral de Finanças e do Tesouro, outra alternativa seriam os cargos que poderiam ocupar com a troca de funções decorrente das autárquicas de 2021.

Paulo Branco diz, nas escutas que queria um lugar de
“presidente de uma empresa qualquer”, como a ETI, ou um cargo em organizações como a ESA – Agência Espacial Europeia, na NATO, ou qualquer outro que lhe valesse “12 mil euros” de salário.

“O terceiro lugar, que eu não quero mas até aceito, é como diretor-geral de uma m**** qualquer”, afirma nas conversas intercetadas.

Já Francisco Marques foi apanhado a vangloriar-se que tinha conseguido uma “coisinha boa”, referindo-se a um cargo na Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional.

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