Os desastres climáticos podem vir a tornar-se na principal causa da migração na Austrália Central. O Verão passado foi o mais quente da história e o mais seco dos últimos 27 anos na região. A temperatura de superfície chegou a marcar 68 graus, mostram dados do Conselho Central da Terra (CLC na sigla em inglês), citados pelo “The Guardian”.
«Não podemos continuar assim», disse Josie Douglas, directora de Política e Pesquisa do CLC, em declarações ao “The Guardian”. «Os aborígenes australianos são muito resilientes e evoluíram para lidar com o clima rigoroso e variável do deserto, mas há limites.»
Douglas pede urgência para que se apresentem melhores respostas para a acção climática. «Sem medidas, as pessoas serão forçadas a deixar o seu país. As alterações climáticas são uma clara ameaça à sobrevivência do novo povo e cultura», reafirma.
A população da Austrália Central está já a preparar-se para mais um Verão escaldante e seco. As torneiras já secaram para, pelo menos, nove comunidades remotas. Para outras 12, a água não tem qualidade.
Em Julho deste ano, os termómetros chegaram a marcar acima de 35 graus durante 129 dias em Alice Springs, uma cidade remota no território do Norte. E houve 55 dias em que a temperatura superou a barreira dos 40 graus. No entanto, os investigadores australianos da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, estimavam que essas temperaturas não chegassem antes de 2030.





