Após uma reunião com a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, o ministro da Saúde Manuel Pizarro garantiu que está a ser estudada e avaliada uma forma de o Serviço Nacional de Saúde prestar apoio às vítimas de abusos sexuais em contexto eclesiástico.
“O SNS tem os braços abertos para todos os portugueses que precisam dos cuidados de saúde, e por maioria de razão também para essas pessoas que foram vítimas de abusos, em relação aos quais temos um especial dever de solidariedade, porque percebemos o impacto que isso teve na sua vida”, explicou Manuel Pizarro aos jornalistas após o encontro.
Sem revelar que medidas, formas ou mecanismos estão a ser estudados para se aplicarem no SNS, de forma a responder ao apoio psicológico às vítimas dos abusos sexuais na Igreja Católica, Manuel Pizarro adiantou que “a reunião teve como objetivo ouvir o relato das pessoas que fizeram o extraordinário trabalho recolha e apuramento de responsabilidades”.
O governante explicou ainda que se discutiu no encontro “de que forma é que o Serviço Nacional de Saúde” pode ajudar as vítimas do referido crime.
A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica validou 512 testemunhos, apontando, por extrapolação, para pelo menos 4.815 vítimas. Vinte e cinco casos foram enviados ao Ministério Público, que abriu 15 inquéritos, dos quais nove foram arquivados.
Os testemunhos referem-se a casos ocorridos entre 1950 e 2022, o espaço temporal abrangido pelo trabalho da comissão.
No relatório, divulgado em fevereiro, a comissão alertou que os dados recolhidos nos arquivos eclesiásticos sobre a incidência dos abusos sexuais “devem ser entendidos como a ‘ponta do iceberg’” deste fenómeno.
A comissão entregou aos bispos diocesanos listas de alegados abusadores, alguns ainda no ativo.













