“Temos que desenvolver capacidade para Portugal ser absolutamente crítico na cadeia de fornecimento”: João Duque traça objetivos para Portugal seguir Plano Draghi

João Duque, Dean do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, começou a sua intervenção na XXVIII Conferência Executive Digest com uma mensagem clara: “Portugal tem obrigatoriamente de participar neste esforço de investimento europeu que se avizinha”.

Pedro Gonçalves
Abril 1, 2025
12:22

João Duque, Dean do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, começou a sua intervenção na XXVIII Conferência Executive Digest com uma mensagem clara: “Portugal tem obrigatoriamente de participar neste esforço de investimento europeu que se avizinha”. “Tem de participar acima daquilo que é o seu peso na economia europeia e a sua demografia, para não perder o comboio e tornar-se um país com dependência de 50 ou 60% do turismo como peso da economia (em vez de 20%)”, continuou o orador, referindo que o País tem de almejar “ser mais do que um destino de férias”.

Destacando que o Plano Draghi fala de um esforço para dedicação a três áreas, inovação, descarbonização e aumento da segurança/redução de dependências, João Duque sublinhou: “Não é substituir é fazer mais, adicionalmente, num investimento de 800 mil milhões por ano, durante um período não especificado. Contas feitas Portugal representa 1,6% do PIB europeu e 2,3% da população europeia. Se distribuirmos, compete-nos 12,4 mil milhões por ano, ou se considerarmos o peso da população, mais de 18 mil milhões por ano”.



Em primeiro lugar, vamos ter que suportar este encargo financeiro que é fazer face a uma divida que vai ser criada, e que vai ser criada com dívida federal, chamemos-lhe assim. Vê-se com otimismo criar mercado de divida publica europeia suportada pelos impostos dos cidadãos europeus do futuro. Durante a nossa vida ou dos nosso descendentes seremos confrontados com os efeitos colaterais. Se não for paga irá sobrecarregar o mercado com este esforço. Assim é importante fazer aplicações sensatas e reprodutivas, para ser simples aos futuros assumirem a divida”, clarificou João Duque sobre a sua perspetiva de caminhos para a Europa e Portugal seguirem.

“Convém que o beneficio destes encargos seja de igual valor. O plano Draghi diz que deve ser feito de forma competitiva e em mercado”, ressalvou João Duque.

O Dean do ISEG ainda referiu os obstáculos a este percurso para Portugal. “Quando olhamos e vemos que temos pouco capital privado para alavancar estes projetos, quando este investimento deve ser feito em coparticipação com capitais públicos. Como não temos, ficamos dependentes de capital público e temos que fazer uso das nossas melhores armas: capacidade inovadora. Temos que continuar a usar o turismo para desenvolver inovação e tecnologia. A génese de diversificar fontes é forma de nos tornarmos sustentáveis e menos dependentes”, declarou na intervenção, destacando a necessidade de diversificar o portfólio do turismo nacional, por exemplo.

Outro aspeto muito importante destacado: “Temos de ter população mais capacitada. Esperemos que estes projetos acompanhem o esforço do investimento na educação, para formar pessoas para alimentar este mercado na área da inovação, gestão, tecnologia, que forneçam capital humano para fazer face à procura esperada, e com essa população capacitada ter forma ágil e inteligente de aceitar e desenvolver os projetos”.

Por outro lado, há ainda desafios e obstáculos a resolver: “As redes de burocracia, a sobreposição de poderes, a criação de impossibilidades na execução de projetos de investimento, são problemas que se pagam caríssimo”, alertou João Duque.

O Dean do ISEG continuou com a ideia de que temos de “desenvolver capacidade para Portugal ser absolutamente crítico na cadeia de fornecimento e construção de bens de investimento, na área tecnológica, na segurança e muitas outras, para não sermos considerados ‘descartáveis'”. E terminou afirmando que “é fundamental que investimento seja feito, e temos de estar dentro deste esforço, devemos tentar captar mais do que o nosso contributo, e não nos deixarmos ficar de fora de processos e que as nossas componentes não sejam criticas e essenciais”.

A XXVIII Conferência Executive Digest conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Capgemini, Delta Q, Fidelidade, Galp, Lusíadas Saúde, Randstad, MC Sonae, Unilever, Vodafone, e ainda com a parceria da Capital MC, Neurónio Criativo, Sapo. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.

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