«Temos de encher o copo e arregaçar as mangas». Costa pede que não se deixe «a crise económica ganhar vida própria»

No entender do primeiro-ministro, não é o momento de discutir sobre como se olha para o copo: se meio cheio ou meio vazio. «Não vale a pena estar a ver se o copo está meio cheio ou meio vazio. Temos é de encher o copo e arregaçar as mangas», disse António Costa, numa visita à fábrica empresa Flex 2000, em Ovar, que reabriu esta sexta-feira.

O chefe do Governo, acompanhado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deixou um recado: «Se deixarmos descontrolar a pandemia perdemos dois em um: o que já ganhámos no combate à pandemia e não ganhamos nada com o relançamento da economia».

Agora, o pedido é para desconfinar. Assim sendo, Costa voltou a pedir aos portugueses que comecem a sair das suas casas, com as devidas «cautelas». Isto é, «com máscara, lavar frequentemente as mãos com água e sabão, desinfectá-las e manter o distanciamento físico», lembrou, apontando para o exemplo do que está já a ser feito na própria Flex 2000. «Temos pessoas a laborar e a produção retomada em segurança», da qual «não podemos prescindir», assinalou.

«Temos de conseguir dar este passo em frente», insistiu, embora constando que «muitas pessoas ainda receiam sair à rua», porque sem ele «vamos manter a pandemia e ela vai começar a contaminar as empresas, os empregos e rendimentos». O risco de «a crise económica ganhar vida própria e autonomia» existe e «temos consciência dele», disse.

Costa defendeu que «só há uma forma de enfrentar esse risco»: «Como enfrentámos a Covid». Sem empresas, emprego e rendimento «a economia não cresce, não vive e a sociedade definha» e «se não foi a doença que deu cabo de nós também não pode ser a cura», apelou, salientando que temos de estar «nesta luta» pela economia.

O primeiro-ministro aproveitou a ocasião para enaltecer a capacidade de «trabalhar em conjunto» do Governo, Presidente da República e autarcas, sublinhando que esse foi «um factor de diferenciação do nosso país no contexto internacional».

Portugal regista já 1.289 óbitos associados à Covid-19 em 30.200 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde.

O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infectou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

*Notícia actualizada às 17:43

Ler Mais
pub

Artigos relacionados
Comentários
Loading...