“Temos de contar com novas variáveis”. Infecciologista avisa que número de infetados pode subir em maio

A infecciologista do Hospital de São João, no Porto, Margarida Tavares, admite que há variáveis que vão mudar e que terão impacto no combate à covid-19.

Sónia Bexiga

“Ainda estamos numa descida inicial, estamos a começar a descer e pode haver aqui alguma instabilidade”, adverte a médica infecciologista do Hospital de São João (HSJ) Margarida Tavares, à ‘RR’, deixando um alerta para o que pode vir aí em maio, com a retoma parcial da atividade económica em todo o país.

“Sabendo nós que todas estas condições de afastamento entre as pessoas serão alteradas, porque nenhuma sociedade suporta uma situação destas, teremos de contar com novas variáveis. Isso pode fazer com que algo que estava a decrescer, volte a crescer”, reforça.

Sobre o relatório da Direção Geral de Saúde (DGS) desta sexta-feira, Margarida Tavares deslovaloriza os 181 novos casos da covid-19. “Este número diz-me que há variabilidade diária, que depende não só do vírus, mas sobretudo de fatores humanos” como, por exemplo, “a disponibilidade de testes, dos testes realizados ou da própria apetência das pessoas para irem fazer o teste; basta lembrar que ontem choveu imenso”, o que pode ter afastado dos serviços de saúde “pessoas com sintomatologia ligeira”, detalha.

Questionada sobre os casos de doentes, e não apenas profissionais de saúde, que contraíram a doença dentro das unidades hospitalares, a especialista afirma que entrar num hospital sem estar infetado e contrair a covid-19 lá dentro “tem acontecido e outra coisa não seria de esperar”.

Sobre os picos da pandemia, Margarida Tavares esclarece a ‘RR’, que “quando falamos em picos, aquilo de que estamos a falar é do ponto mais alto de uma onda, interpretada ao nível de uma população em geral e não de determinado hospital.”

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Para a especialista, “se mantivéssemos todas as variáveis atuais, com estes padrões de isolamento e confinamento social, com escolas e empresas fechadas”, aí sim, “poderíamos afirmar que o pico da onda já tinha sido ultrapassado em Portugal, incluindo na região norte”.

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