“Tem muito trabalho”: Kremlin nega que ministro da Defesa russo esteja a liderar um golpe contra Putin

Ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, não é ‘visto’ há 13 dias mas o Kremlin insistiu que o o responsável político tinha “muito no seu prato” para justificar a ausência

Francisco Laranjeira
Março 24, 2022
17:21

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, não é ‘visto’ há 13 dias mas o Kremlin insistiu que o o responsável político tinha “muito no seu prato” para justificar a ausência, por entre relatos de denúncias sobre a crescente possibilidade de um golpe contra Vladimir Putin à medida que a guerra na Ucrânia se arrasta. Recorde-se que o ministro da Defesa é um aliado próximo do presidente russo e foi uma voz proeminente durante os primeiros dias da invasão da Rússia, suportando em diversas declarações a intenção de “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, garantiu, esta quinta-feira, que o ministro da Defesa tinha muito com que se preocupar e não era realmente “o momento para atividades no media”, referiu a agência ‘Reuters’.



Sergei Shoigu foi visto esta quinta-feira num écran dividido por altos funcionários enquanto Putin se reunia remotamente com o seu Conselho de Segurança, em imagens transmitidas pela agência de notícias russa RIA.

Mas, segundo a agência de espionagem russa FSB, existe o risco de um golpe contra Putin que crescia a cada semana que a guerra na Ucrânia se arrastava. Vladimir Osechkin – um homem na lista dos mais procurados da Rússia por expor abusos nas prisões – publicou 11 cartas supostamente enviadas a ele por um membro do FSB desde o início da guerra, alegando que o caos e o descontentamento engoliram os serviços de segurança russos, informou o ‘Times’.

Falando ao jornal do exílio em França, o fundador do grupo de direitos humanos Gulagu.net garantiu: “Durante 20 anos, Putin criou estabilidade na Rússia. Oficiais do FSB, polícias, promotores estatais, todas as pessoas dentro do sistema puderam viver uma vida boa. Mas agora tudo isso acabou. Eles reconhecem que esta guerra é uma catástrofe para a economia e para a humanidade. Eles não querem voltar para a União Soviética e estão dispostos a mudar o sistema se necessário. Para cada semana e cada mês que esta guerra continua, a possibilidade de uma rebelião por parte dos serviços de segurança aumenta.”

A primeira carta publicada por Osechkin – que foi considerada autêntica por vários especialistas – comparou o “fracasso total” da guerra de Putin ao colapso da Alemanha nazi, enquanto a mais recente alertou sobre potenciais provocações anti-polacas e supostos planos para um massacre de civis em Kherson.

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