A taxa fixa ganhou expressão no crédito habitação em abril de 2026, mais do que duplicando face ao mesmo mês do ano anterior. Segundo o mais recente relatório de mercado de crédito habitação do ComparaJá, com dados relativos a abril, esta modalidade passou de 1,2% dos contratos em abril de 2025 para 7,1% em abril de 2026, sinalizando uma maior procura dos consumidores por previsibilidade nas prestações mensais.
Apesar de continuar longe de ser a opção dominante no mercado, a taxa fixa registou uma subida relevante também em termos mensais. De acordo com a análise, esta modalidade representava 4,5% dos novos contratos em março e aumentou para 7,1% em abril, uma subida de 2,6 pontos percentuais num único mês.
O crescimento da taxa fixa ocorre num mercado em que os consumidores continuam pressionados pelo custo total do crédito e pelo aumento do montante médio financiado. Segundo o relatório, o valor médio financiado no crédito habitação ultrapassou os 200 mil euros em abril, atingindo os 203.395 euros, depois dos 187.893 euros registados em março.
Ainda assim, a taxa mista continua a dominar as escolhas dos portugueses. Em abril, representou 76,1% dos novos contratos, embora tenha recuado face aos 79,5% observados em março. Já a taxa variável subiu ligeiramente, de 15,9% para 16,8%.
A evolução da taxa fixa sugere, contudo, que uma parte dos consumidores está a valorizar mais a estabilidade da prestação mensal, mesmo num mercado onde as soluções mistas continuam a concentrar a maioria dos contratos. Num contexto de incerteza em torno das taxas de juro e de encargos elevados com a habitação, a previsibilidade ganha peso no momento de contratar crédito.
“A EURIBOR a 6 meses reforçou-se como principal referência dos novos contratos, a taxa fixa ganhou expressão e o montante médio financiado ultrapassou os 200 mil euros. Ao mesmo tempo, vemos consumidores mais ativos na compra de habitação, mas também mais pressionados pelo custo total do crédito”, afirma Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação do ComparaJá.
Para Rita Sogalho, a comparação de propostas continua a ser essencial num mercado em que pequenas diferenças nas condições podem ter impacto significativo no custo final do empréstimo. “Num mercado cada vez mais exigente, comparar condições continua a ser essencial para evitar pagar mais do que o necessário ao longo do empréstimo”, sublinha.




