O WooHoo, em Dubai, levou o conceito de cozinha futurista ao extremo ao integrar na sua equipa aquele que apresenta como o primeiro chef de inteligência artificial do mundo. O “Chef Aiman” idealiza pratos tão insólitos como um suposto “tártaro de dinossauro”, manteiga de algas marinhas ou frango bebé assado em madeira de cedro.
O restaurante garante que, embora o robot não cozinhe fisicamente, cada receita é moldada pelo seu processo de desenvolvimento culinário baseado em IA. E o prato mais enigmático do menu é justamente o “tártaro de dinossauro”, pensado — dizem — para “recriar o sabor de répteis extintos”. Custa 44 libras (cerca de 50 euros) e é servido num prato que pulsa como se tivesse vida própria. A composição exata permanece secreta, mas o menu confirma que inclui pato.
Um menu que leva a criatividade ao limite
Outro destaque é a manteiga de algas marinhas, acompanhando carne Wagyu cozida em panela de barro japonesa, por 41 libras (46,7 euros). Apesar do ar excêntrico, as algas são ricas em glutamato monossódico natural, responsável pelo sabor umami. Já o “frango bebé” assado deverá referir-se a um pintinho abatido com poucas semanas de vida, o que poderá não agradar a todos os clientes.
Toda a imaginação do Chef Aiman está baseada em milhares de receitas e décadas de investigação em gastronomia molecular. Segundo o tabloide britânico, o sistema utiliza dados de composição química dos alimentos, combinações de sabores e preferências de clientes para criar propostas únicas. Ahmet Oytun Cakir, cofundador do WooHoo, acredita mesmo que a IA poderá tornar-se “o próximo Gordon Ramsay — em versão digital”.
Entre entusiasmo e ceticismo na cozinha
Apesar da ambição tecnológica, o processo continua dependente da intervenção humana. A execução e apresentação dos pratos é liderada pelo chef Serhat Karanfil, que admite debater com a IA sempre que a prova o leva a ajustar sabores.
Mas nem todos se mostram convencidos. O chef Mohamad Orfali, premiado com estrelas Michelin, rejeita a ideia de um verdadeiro “chef” artificial, defendendo que a cozinha exige “nafas” — alma culinária, memória e sensibilidade que, diz, a IA não possui.
Automação? Para já, os chefs continuam seguros
Embora o tema levante receios sobre o futuro da profissão, estudos recentes apontam que os chefs estão entre os profissionais com menor risco de substituição por IA. Uma investigação da Universidade de Oxford classificou a profissão muito abaixo na lista de automatização, e uma análise da Microsoft indica baixa “compatibilidade com IA”, em linha com polícias, profissionais de saúde ou trabalhadores de agências funerárias.














