A TAP Air Portugal, a companhia aérea nacional de Portugal, é também uma das mais antigas do mundo, e comemora hoje 79 anos. Fundada em 14 de março de 1945, a TAP teve suas origens na criação da Transportes Aéreos Portugueses, SARL, em 1944, com o objetivo de unir as colónias portuguesas através do transporte aéreo.
Inicialmente, a TAP operava voos domésticos e para as então colónias portuguesas na África e na América do Sul. Com o passar dos anos, expandiu a sua rede de rotas para incluir destinos em toda a Europa, África, América do Norte e América do Sul.
Nos anos 1960 e 1970, a TAP passou por um período de crescimento significativo, adquirindo novos aviões e modernizando a sua frota. Durante este tempo, a companhia também introduziu novos serviços e melhorou a qualidade do seu atendimento ao cliente.
No final do século XX e início do século XXI, a TAP enfrentou desafios económicos e concorrenciais, como muitas outras companhias aéreas. Em resposta, passou por processos de reestruturação e modernização, incluindo a privatização parcial em 2000, quando o governo português vendeu uma participação de 33% para o consórcio Air Portugal.
Em 2015, David Neeleman, empresário brasileiro cofundador da Azul Linhas Aéreas e fundador da JetBlue Airways, adquiriu uma participação de 61% na TAP, com o Governo português a manter os restantes 39%. Sob a sua liderança, a TAP lançou uma estratégia de expansão global, adicionando novas rotas e modernizando a sua frota com a introdução de aviões mais eficientes em termos de combustível.
DESAFIOS
No entanto, a companhia aérea enfrentou novos desafios ao longo dos tempos, incluindo problemas operacionais e financeiros, bem como impactos significativos da pandemia de Covid-19, que afetou severamente a indústria da aviação global.
Para além disso, a sua história recente ficou marcada pela exoneração por justa causa da CEO, Christine Ourmières-Widener, em abril de 2023, no seguimento da polémica indemnização de 500.000 euros à antiga administradora Alexandra Reis, que levou à demissão do então ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e do seu secretário de Estado Hugo Mendes, e à constituição de uma comissão parlamentar de inquérito à gestão da companhia aérea.
Na sequência do relatório da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) sobre o processo de rescisão da TAP com Alexandra Reis, que apontou falhas graves, o Governo decidiu também demitir o presidente do Conselho de Administração da companhia aérea, Manuel Beja.
O Governo escolheu Luís Rodrigues para substituir Manuel Beja e Christine Ourmières-Widener, acumulando os dois cargos.
REPRIVATIZAÇÃO
O Governo deu início ao processo de reprivatização da TAP em setembro, com a expectativa de o concluir no primeiro semestre de 2024, mas este é um dos dossiês que deve ficar em pausa com a crise política.
O Governo anunciou, em 28 de setembro, a intenção de alienar pelo menos 51% do capital da TAP, reservando até 5% aos trabalhadores. Os objetivos estratégicos da venda, definidos pelo anterior executivo seriam a manutenção e crescimento do hub (aeroporto que serve como centro de distribuição de passageiros), o crescimento da TAP, o investimento e emprego que o novo investidor possa trazer para Portugal em atividades de alto valor no setor da aviação, o melhor aproveitamento da rede de aeroportos nacionais valorizando e fazendo crescer operações de ponto a ponto, nomeadamente no aeroporto do Porto, e o preço e valor oferecido para aquisição das ações da companhia.
Após o anúncio, os três principais grupos europeus de aviação — Lufthansa, Air France-KLM e IAG — manifestaram publicamente interesse na compra, no entanto, o veto do decreto-lei e o pedido de mais explicações ao executivo sobre a intervenção do Estado, a alienação ou aquisição de ativos e a transparência da operação, por parte do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, bem como a demissão do Governo, colocaram em causa este procedimento.
ESTATUTO
Apesar desses desafios, a TAP continua a ser uma das principais companhias aéreas da Europa, conhecida por sua rede global de destinos, serviço de qualidade e compromisso com a segurança e o conforto dos passageiros.
Mais recentemente, a TAP foi eleita como a Melhor Companhia Aérea Europeia a voar para África e para a América do Sul nos World Travel Awards 2024. Para além disso, recebeu também a distinção como Melhor Companhia Europeia nos MICE Awards 2023.













