Tancos. Saiba quais são as principais perguntas de Carlos Alexandre a António Costa

Fotografia: Lusa

Carlos Alexandre aceitou que o depoimento de António Costa na fase de instrução do caso Tancos seja feito por escrito e a centena de perguntas do magistrado chegaram a S. Bento na sexta-feira. No despacho, a que o “Expresso” teve acesso e que já foi transmitido aos advogados presentes na instrução, o juiz quer saber ao certo qual o grau de informação do primeiro-ministro sobre o roubo do material de guerra e na posterior encenação da entrega das armas a uma equipa da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR de Loulé.

Costa tem 15 dias – prazo maior do que o previsto na lei, de apenas 10 dias, por causa do número de questões colocadas (100) – para responder. Mas se os esclarecimentos escritos não forem suficientes, o primeiro-ministro pode ser chamado a tribunal.

Carlos Alexandre refere, contudo, que não teve outra alternativa senão aceitar que o depoimento de António Costa seja feito por escrito. «Não resta outra alternativa, (…) que não seja a de em primeiro lugar, solicitar ao Exmo. primeiro-ministro que, sob juramento, se digne responder (…) o que for do seu conhecimento pessoal e directo, acerca das seguintes cem questões.»

O que pergunta? 

Nas primeiras trinta perguntas, o juiz de instrução quer saber se Costa tinha conhecimento da investigação paralela que estava a ser realizada pela PJM, à revelia da então procuradora-geral da República Joana Marques Vidal. Mais à frente, pergunta se sabia de uma uma suposta autorização de Azeredo Lopes ao então número um da Polícia Judiciária Militar (PJM), o coronel Luís Vieira, para este executar a recuperação [ilegal] do material.

Costa é também questionado sobre a relação mantida entre os dois altos responsáveis: se sabia dos encontros entre Azeredo Lopes e o então director da PJM, se o ex-ministro da Defesa manteve contactos com o chefe da casa militar de Belém e tinha conhecimento de uma suposta entrega de documentos, um deles em segredo de justiça, ao antigo governante.

Sobre a recuperação das armas num baldio na Chamusca por parte da PJM e da GNR, quatro meses após o assalto, o juiz quer saber quando, como e quem informou Costa sobre a descoberta do arsenal e quando é que o primeiro-ministro se apercebeu que as informações sobre aquela operação não correspondiam à verdade. Carlos Alexandre também quer perceber o conteúdo da conversa entre Costa e Azeredo no debate quinzenal no Parlamento nesse mesmo dia [18 de Outubro de 2017] e também no Conselho de Ministros Extraordinários, que se realizou três dias depois.

O magistrado questiona ainda se se o primeiro-ministro tinha conhecimento do conteúdo de um memorando entregue chefe de gabinete de Azeredo Lopes, nesse período, não rubricado e que falava de um informador da PJM na operação da entrega do arsenal furtado na madrugada de 28 de Junho de 2017.

Carlos Alexandre quer ter a certeza se Costa sabia que o inquérito estava nas mãos da PJ civil e não da PJM e se não desconfiou que o comunicado da PJM sobre a falsa descoberta das armas tenha feito referência à GNR de Loulé, que nada tinha a ver com o caso, e se felicitou o trabalho da PJM na recuperação das armas.

A certa altura, o magistrado pergunta ao primeiro-ministro se teve conhecimento de um e-mail enviado pelo coronel Luís Vieira ao major Vasco Brazão, um dia depois do achamento das armas na Chamusca, em que o primeiro-ministro é referido. «Atenção que eu ao chefe da casa militar do PR contei tudo o que sabia à data de 19set. O primeiro-ministro deve estar a receber inputs de vários lados», escreveu Vieira, citado pelo “Expresso”.

A pergunta número cem, Carlos Alexandre diz: «Mesmo no caso de não ter conhecimento do mesmo, sabe esclarecer o conteúdo deste email? Que inputs, no sentido de informações, recebeu nessa data sobre o caso de Tancos?».

Ler Mais
Artigos relacionados
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Quer ir ao Burning Man? Cuidado com os bilhetes falsos
Automonitor
#Ensaio – Mercedes-Benz GLC 220d – A medida perfeita