Taiwan realiza referendos para destituir deputados pró-China da oposição

Taiwan realiza este sábado referendos em 24 círculos eleitorais para destituir deputados do partido da oposição Kuomintang (KMT), acusado de bloquear legislação essencial e de proximidade excessiva com a China, num clima de crescente polarização política.

Executive Digest com Lusa

Taiwan realiza este sábado referendos em 24 círculos eleitorais para destituir deputados do partido da oposição Kuomintang (KMT), acusado de bloquear legislação essencial e de proximidade excessiva com a China, num clima de crescente polarização política.

Milhares de apoiantes do Partido Democrático Progressista (DPP), atualmente no Governo, manifestaram-se na quinta-feira no centro de Taipé em apoio às destituições, que visam deputados do KMT considerados vulneráveis ou alinhados com Pequim. Escritores, músicos e ativistas participaram nos comícios, apelando para a mobilização popular.

O DPP venceu as presidenciais de janeiro, mas ficou em minoria no Parlamento, com 51 dos 113 assentos. O KMT, favorável a relações mais próximas com a China continental, e o Partido Popular de Taiwan (TPP) detêm atualmente 62 lugares.

Desde então, o bloco opositor tem travado iniciativas do Governo, incluindo o orçamento da Defesa, o que é visto como um entrave à resposta de Taiwan perante a ameaça militar da China, que considera a ilha parte do seu território.

Os referendos de destituição – uma novidade na democracia taiwanesa – exigem o apoio de 40% dos eleitores registados em cada círculo para serem aprovados. Em caso de sucesso, terão lugar eleições parciais, nas quais todos os partidos poderão apresentar candidatos.

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A oposição acusa o DPP de tentar obter uma maioria pela via administrativa e de minar o sistema multipartidário, enquanto os promotores das destituições apontam a proximidade do KMT à China, alegando corrupção e falta de cooperação institucional.

A questão chinesa dominou o debate, com Pequim a classificar os referendos como “fúteis” e a reiterar a inevitabilidade da “reunificação”, por meios pacíficos ou militares.

Políticos do KMT foram criticados por viagens à China e encontros com autoridades chinesas, defendendo-se como necessários para manter canais de comunicação.

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Para ativar cada referendo, os organizadores recolheram assinaturas de pelo menos 10% dos eleitores por distrito, num processo complexo que limitou o número total de deputados visados.

Apesar do entusiasmo gerado entre os apoiantes do DPP, a formação pode continuar em minoria mesmo que as destituições sejam bem-sucedidas, dado que o KMT pretende disputar todas as eleições parciais.

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