A Tabaqueira entregou à GNR uma nova viatura operacional e dois cães-polícia especializados na deteção de produtos de tabaco ilícitos, reforçando os meios da força de segurança para combater o comércio ilegal. Desde 2023, as equipas cinotécnicas da GNR participaram em 53 operações que resultaram na apreensão de mais de 2,4 milhões de cigarros.
Os novos cães, Rola e Remi, ambos da raça Pastor Holandês, foram treinados especificamente para detetar o odor de produtos de tabaco e passam a integrar a Secção Cinotécnica do Comando Territorial do Porto.
A viatura entregue pela Tabaqueira destina-se ao transporte e apoio operacional das equipas cinotécnicas, permitindo reforçar a capacidade de intervenção no terreno.
A entrega ocorreu no quartel da Unidade de Intervenção da GNR, na Pontinha, em Lisboa, e incluiu uma demonstração das capacidades dos novos cães e das duplas constituídas pelos animais e pelos militares tratadores.
Os meios agora disponibilizados surgem num contexto em que as autoridades portuguesas têm vindo a reforçar o combate ao comércio ilícito de produtos de tabaco. Desde 2023, o Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR contabilizou 53 operações, nas quais foram apreendidos 2 411 368 cigarros, 106 quilogramas de tabaco triturado e 74,8 quilogramas de folha de tabaco.
A colaboração entre a Tabaqueira e a GNR, com mais de uma década, foi formalizada em 2020 através de um protocolo de cooperação para a prevenção e combate ao comércio ilícito de produtos de tabaco. Ao abrigo desta parceria, a empresa já tinha entregue à GNR um scanner para deteção de tabaco, seis cães-polícia especializados e três viaturas.
A cooperação prevê ainda ações anuais de formação no Curso Fiscal para Sargentos e Guardas, a autenticação e análise de amostras de produtos ilícitos para apoiar investigações, apoio técnico à inutilização de produtos apreendidos das marcas da PMI e partilha de conhecimento especializado sobre comércio ilícito.
O mercado ilegal representa também um impacto significativo para as receitas fiscais. Segundo o mais recente relatório da KPMG sobre o consumo ilícito de cigarros na Europa, Portugal registou em 2025 uma incidência de 2,7% deste mercado no consumo total, equivalente a cerca de 220 milhões de cigarros ilegais.
A mesma estimativa aponta para uma perda de 45 milhões de euros em receita fiscal. Ainda assim, Portugal mantém uma incidência do mercado ilícito inferior à média da União Europeia, que chegou aos 10,3% em 2025, o valor mais elevado desde 2014.
Paulo Silvério, Segundo Comandante-Geral da GNR, destacou “o trabalho exemplar e o empenho das equipas cinotécnicas que todos os dias no terreno enfrentam uma criminalidade cada vez mais sofisticada e tecnologicamente equipada e a importância da cooperação entre as diversas entidades do sector, nomeadamente com a Tabaqueira, que tem permitido a Portugal ser um exemplo no combate ao tráfico ilegal de tabaco e ajudar a formar equipas de forças de segurança internacionais”.
Marcelo Nico, Diretor-Geral da Tabaqueira, afirmou que “o comércio ilícito de produtos de tabaco é um fenómeno complexo, com impactos muito sérios na segurança pública, uma vez que reforça redes de tráfico de todo o tipo de produtos e com um impacto também muito significativo na economia e nos consumidores”.
“Este flagelo só pode ser combatido de forma eficaz com meios adequados no terreno e o reforço desta capacidade cinotécnica da GNR é um investimento direto na eficácia operacional das autoridades e na proteção do mercado legal”, acrescentou.
Segundo o responsável, “os resultados alcançados desde 2023 demonstram o valor desta cooperação uma vez que Portugal continua a destacar-se no contexto europeu por ter um dos mercados ilícitos com menor expressão, e isso resulta de um enquadramento fiscal equilibrado, colocando esta indústria como das mais relevantes na arrecadação de impostos, bem como de uma articulação eficaz entre as autoridades e o setor privado”.














