Tanto o primeiro-ministro, António Costa, como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinham conhecimento das suspeitas de espionagem e de ligações de associações e cidadãos pró-Kremlin à Rússia.
Segundo o ‘Correio da Manhã’ (CM), esta informação foi revelada pelo Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações, numa audição à porta fechada no Parlamento, que aconteceu na quarta-feira.
A mesma informação adianta que foram enviados a Costa e Marcelo relatórios relativos a 2021 que já faziam referência à guerra na Ucrânia, revela o jornal, sublinhando que foram apontadas entidades e cidadãos russos a operar em Portugal que estavam no “radar das secretas”.
Em causa está, por exemplo, a Associação de Emigrantes de Leste (Edintsvo), dirigida por Igor Khashin, um dos russos acusado de interrogar refugiados ucranianos na Câmara de Setúbal, fotocopiando os seus documentos.
A par disso, segundo o ‘CM’, o mesmo organismo disse também que a espionagem e contraespionagem ligada ao Kremlin estão muito ativas em Portugal desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014.
O primeiro-ministro e o Presidente da República já reagiram a estas informações. Costa não confirma nem desmente: “Quem tem acesso à informação está obrigado ao dever de segredo, e a violação desse segredo constitui um crime. Como responsável pelos Serviços de Informações, tenho de respeitar a legalidade, não posso cometer crimes e, portanto, não devo comentar”, afirmou ontem em declarações aos jornalistas.
Já Marcelo adotou postura semelhante, ainda que tenha negado ter recebido qualquer relatório sobre a existência destas associações ou cidadãos. “Não tivemos conhecimento, porque as informações são classificadas. Se houve, eram secretas, não eram para circular”, sublinhou.












