O alerta internacional provocado pelo surto de hantavírus no navio de cruzeiro ‘MV Hondius’, que já causou três mortos, voltou a colocar este patógeno no centro das atenções. Mas o hantavírus já tinha sido notícia em 2024, quando centenas de amostras deste e de outros vírus desapareceram de um laboratório na Austrália.
De acordo com o site ’20 Minutos’, as autoridades de saúde do estado australiano de Queensland revelaram que 323 amostras de hantavírus, lyssavírus e vírus Hendra desapareceram do Laboratório de Virologia em 2021.
O incidente foi classificado como uma “grave violação dos protocolos de biossegurança”.
Falha num congelador esteve na origem do problema
O desaparecimento das amostras terá ocorrido depois de uma falha num congelador de baixa temperatura onde os frascos estavam armazenados.
As amostras foram transferidas para outro congelador, mas a documentação exigida pelos protocolos de biossegurança não foi devidamente preenchida.
A falha só foi descoberta em agosto de 2023, embora tenha sido divulgada publicamente apenas em 2024.
Na altura, o então ministro da Saúde de Queensland, Tim Nicholls, explicou que as autoridades não sabiam se os materiais tinham sido destruídos ou removidos do laboratório.
Autoridades afastaram indícios de roubo malicioso
Tim Nicholls admitiu a possibilidade de as amostras terem sido retiradas de um local de armazenamento seguro e depois perdidas ou extraviadas durante o transporte.
Ainda assim, afastou a existência de indícios de roubo com fins maliciosos ou de uso como arma biológica.
O governante sublinhou também que não havia provas de que os frascos tivessem sido roubados do laboratório.
Vírus perderiam capacidade infecciosa fora do congelador
O diretor de saúde de Queensland, John Gerrard, reconheceu que a falha no registo e controlo das amostras foi grave, mas procurou reduzir a preocupação pública.
Segundo Gerrard, estes vírus degradam-se rapidamente fora de congeladores especializados e deixam de ser infecciosos.
“É importante ressaltar que essas amostras de vírus se degradariam muito rapidamente fora de um congelador de baixa temperatura e deixariam de ser infecciosas”, explicou.
O responsável acrescentou ainda que não tinham sido detetados casos humanos de vírus Hendra ou lyssavírus em Queensland nos cinco anos anteriores.
Quanto ao hantavírus, as autoridades australianas indicaram que nunca houve registo de infeção humana na Austrália.
Caso ganha novo destaque com surto no cruzeiro
O episódio laboratorial não tem, segundo as informações divulgadas, qualquer ligação conhecida ao surto no ‘MV Hondius’.
Ainda assim, o caso voltou a ganhar atenção por envolver o mesmo tipo de vírus que está agora associado ao alerta sanitário no cruzeiro.
O ‘MV Hondius’ tornou-se foco de preocupação internacional depois da confirmação de casos de hantavírus a bordo, com três mortes já registadas.
O episódio mostra como falhas de biossegurança, mesmo quando não há indícios de roubo ou uso malicioso, podem ganhar nova relevância pública quando um patógeno volta a surgir no centro de uma crise sanitária.








