O Supremo Tribunal dos Estados Unidos vai realizar, esta terça-feira, uma audiência importante sobre a pílula abortiva ‘mifepristona’: de acordo com a ‘Planned Parenthood’, a pílula em questão é usada em quase metade dos abortos realizados nos Estados Unidos.
O processo em questão envolve Audrey Wrobel, que exigiu o seu direito de decidir sobre os seus próprios corpos sem interferência externa, e a ‘Alliance for Hippocratic Medicine’, que quer restringir a pílula, que está autorizada para uso nos Estados Unidos desde 2020.
“O Supremo Tribunal deveria permanecer em silêncio sobre o que as mulheres deveriam ou não fazer com os seus corpos”, denunciou Wrobel, que utilizou a pílula abortiva para interromper uma gravidez indesejada quando era adolescente. “Só nós sabemos o que é melhor para as nossas vidas, para as nossas famílias e para os nossos corpos.”
O conflito, especificamente, refere-se às mudanças implementadas em 2016 pela ‘Food and Drug Administration’ (FDA), que flexibilizou as regras para obtenção do ‘mifepristona’, permitindo que fosse prescrita eletronicamente e enviado pelo correio, além de ser dispensado em farmácias físicas.
Um tribunal de recurso decidiu a favor da organização antiaborto e agora a luta chegou ao Supremo Tribunal. O acesso ao mifepristona tornou-se essencial para algumas mulheres, que não podem realizar abortos nos locais onde vivem desde que o Supremo Tribunal, em junho de 2022, anulou a decisão ‘Roe v. Wade’, que protegia o aborto em nível federal desde 1973.
Com o fim, 20 estados começaram a aprovar leis que proíbem o aborto ou o restringem severamente, o que tem causado caos e saturação nos centros onde este serviço é oferecido.
Esta situação afetou pessoalmente Wrobel, que quando precisou de um aborto percebeu que só poderia marcar uma consulta duas semanas depois, e a clínica mais próxima ficava a quase uma hora e meia de distância. Nesta situação, a pílula abortiva ‘mifepristona’ tornou-se a sua única solução.
O caso de Wrobel, na verdade, não é único. O uso de pílulas aumentou significativamente nos últimos meses e já é utilizado em 63% dos abortos nos Estados Unidos, segundo um estudo publicado pelo ‘Guttmacher Institute’, organização que analisa a situação dos direitos reprodutivos: este valor era de 53% em 2020, 39% em 2017 e 17% em 2008.







