Supercomputador revela mais de 100 mil vírus – incluindo 9 coronavírus – que a ciência nunca encontrou e em apenas 11 dias

Equipa internacional de investigadores usou ferramenta para analisar 20 milhões de gigabytes de dados de sequências genéticas de 5,7 milhões de amostras biológicas recolhidas de todos os tipos de ambientes, desde amostras de gelo a dejetos de animais

Francisco Laranjeira

Um supercomputador “ridiculamente poderoso”, segundo relatou a revista ‘Nature’, conseguiu identificar mais de 100 mil novos vírus de RNA – incluindo nove coronavírus nunca antes vistos – ao passar a pente fino grandes quantidades de amostras biológicas. Uma equipa internacional de investigadores usou essa ferramenta para analisar 20 milhões de gigabytes de dados de sequências genéticas de 5,7 milhões de amostras biológicas recolhidas de todos os tipos de ambientes, desde amostras de gelo a dejetos de animais.

A pesquisa revelou 132 mil vírus de RNA – dos quais apenas 15 mil eram conhecidos anteriormente pela ciência – e nove novas espécies de coronavírus. Com essas informações gerais, a equipa de cientistas espera concluir um trabalho que possa ser usado para acabar com futuros surtos de doenças – e talvez até abordar a próxima grande pandemia.

“Estamos a entrar numa nova era de compreensão da diversidade genética e espacial dos vírus na natureza e como uma grande variedade de animais interage com esses vírus. A esperança é que não sejamos apanhados de surpresa se algo como o SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, surgir novamente”, apontou Artem Babaian, investigador independente que trabalhou no projeto. “Estes vírus podem ser reconhecidos mais facilmente e os seus reservatórios naturais podem ser encontrados mais rapidamente. O objetivo real é que estes infeções sejam reconhecidas mais cedo para que não se tornem pandemias.”

“Se um paciente apresentar febre, de origem desconhecida, e com o sequenciamento do sangue, podemos agora associar esse vírus num banco de dados muito maior de vírus existentes. Um paciente apresenta uma infeção viral de origem desconhecida em St. Louis, nos Estados Unidos, podemos pesquisar no banco de dados em cerca de 2 minutos e conectar esse vírus a, por exemplo, um camelo em África subsaariana cuja amostra remonta a 2012”, revelou o cientista.

O supercomputador utilizado nesta pesquisa tem uma capacidade computacional de 22.500 CPU (‘Central Process Unit’, responsável pelo processamento num computador) típicas. Um supercomputador tradicional levaria mais de um ano (sem mencionar centenas de milhares de eutos) para realizar a mesma análise mas este projeto concluiu o trabalho em 11 dias por 21,55 mil euros. O estudo tem o potencial de ajudar a melhorar a vigilância de patógenos para a antecipação e mitigação de futuras pandemias, mas apesar dessa promessa ousada, Babaian diz que começou apenas por ser um… “projeto paralelo divertido”.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.