Suíça quer criar imposto para os super-ricos. Multimilionários ameaçam mudar-se para evitar tributação

Tord Kolstad, um magnata imobiliário que deixou a Noruega há dois anos para escapar de um aumento de imposto sobre a sua riqueza, enfrenta agora um novo desafio na sua nova casa, a Suíça. A nação alpina está no centro de um debate sobre a implementação de um imposto de herança para os super-ricos, que prevê taxar em 50% qualquer riqueza acima de 50 milhões de francos suíços (54 milhões de euros).

André Manuel Mendes

Tord Kolstad, um magnata imobiliário que deixou a Noruega há dois anos para escapar de um aumento de imposto sobre a sua riqueza, enfrenta agora um novo desafio na sua nova casa, a Suíça. A nação alpina está no centro de um debate sobre a implementação de um imposto de herança para os super-ricos, que prevê taxar em 50% qualquer riqueza acima de 50 milhões de francos suíços (54 milhões de euros).

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A proposta tem gerado grande preocupação entre multimilionários, que ameaçam mudar-se para evitar a tributação.

A Suíça, conhecida pelos seus impostos baixos e ambiente favorável aos negócios, abriga atualmente 22 das 500 pessoas mais ricas do mundo, segundo o Bloomberg Billionaires’ Index. O país não possui um imposto de herança a nível federal, e muitos cantões isentam cônjuges e filhos. Onde há tributação, as taxas não ultrapassam 3,5% após isenções substanciais.

Contudo, a ala jovem dos Social-Democratas suíços (Juso) conseguiu reunir mais de 100.000 assinaturas para levar a proposta de imposto de herança a votação nacional, esperada para ocorrer em aproximadamente dois anos. O objetivo é financiar medidas climáticas, argumentando que a classe mais rica deve contribuir mais para combater as consequências da crise climática.

Enquanto isso, empresários ricos como Kolstad alertam que a medida terá impactos negativos significativos. “Embora eu esteja muito feliz na Suíça, terei que reconsiderar se isso for aprovado”, afirmou Kolstad em entrevista à ‘Bloomberg’.

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Isabel Martínez, economista sénior da KOF ETH Zurich, estima que cerca de 2.500 contribuintes possuem uma riqueza superior a 50 milhões de francos, representando menos de 0,1% de todos os contribuintes.

O debate sobre a tributação dos ricos não está restrito à Suíça. No Reino Unido, estão a eliminar isenções fiscais para não residentes, e a Espanha introduziu um imposto temporário sobre riqueza para financiar programas sociais. No Brasil, que preside o G20 este ano, foi proposta a criação de um imposto mínimo global sobre os mais ricos, ideia que enfrenta resistência de países como os EUA.

 

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