Startup espanhola Jotelulu chegou há pouco tempo a Portugal… e já conseguiu “resultados muito satisfatórios”, afirma diretor de marketing

A Jotelulu, uma startup espanhola com a missão de transformar Pequenas e Médias Empresas de IT portuguesas em fornecedores de cloud, de forma a democratizar esta tecnologia e fazer frente aos grandes, só chegou a Portugal há pouco tempo, mas, em termos globais, já serve mais de 7.000 trabalhadores em cerca de 1.700 organizações.

Manuel Perèz, diretor de marketing da Jotelulu, explicou em declarações à ‘Executive Digest’ o porquê da criação da startup, a motivação para a expansão em Portugal e a sua opinião sobre o mercado português e se ainda tem espaço significativo para crescer no que toca à cloud.

 

– O que é a Jotelulu? Quando nasceu e porquê?

A Jotelulu nasceu como resposta a uma necessidade e tudo começou em 2016, quando ainda éramos uma empresa de consultoria e apoio informático que vendia serviços de cloud a micro e pequenas empresas. Estávamos obcecados em encontrar uma ferramenta que nos permitisse centralizar clientes e serviços, que nos ajudasse a gerir melhor a infraestrutura que implantávamos para cada um dos nossos clientes e que nos permitisse permanecer competitivos. Tentámos tudo: ferramentas, soluções dos grandes intervenientes no mercado (AWS, Azure ou Google), plataformas de gestão, mas não encontrámos nada que resolvesse realmente as nossas necessidades enquanto pequena empresa de TI. A dificuldade de conhecer e dominar o uso destas plataformas maiores, que possuem certificações próprias, foi o ponto de partida. A Jotelulu decidiu então criar a sua própria plataforma de cloud, acessível a qualquer empresa, através de uma plataforma simples e fácil de gerir.

A Jotelulu é assim uma plataforma desenhada para transformar empresas de TI em fornecedores de serviços na nuvem com a sua própria marca e preços. De forma simplificada, dizemos que a Jotelulu é como um “supermercado de serviços de cloud de marca branca”. Este é um serviço exclusivo para empresas de TI, que registam os seus clientes (geralmente também eles micro e pequenas empresas) e escolhem quais os serviços a implementar para cada um deles, de acordo com as suas necessidades.

 

– Quando chegou a Portugal e qual a motivação para expandir para o mercado português?

Chegámos a Portugal no mês passado, sendo que uma das principais razões que levaram a Jotelulu a focar-se neste mercado foram as semelhanças com Espanha. Os mercados português e espanhol equiparam-se em termos de dimensão do tecido empresarial e das necessidades de digitalização das empresas – 95,4% do tecido espanhol é constituído por empresas com menos de 10 empregados e, em Portugal, as PMEs representam 99,9% do total das empresas no país.

Além disso, vimos Portugal como um mercado atrativo devido a um claro crescimento da procura de cloud. Sabemos que ainda está muito concentrado nos grandes players (AWS, MS Azure, etc), mas também consideramos uma grande oportunidade para nós, porque fazemos as coisas de forma diferente e sabemos que podemos trazer muito valor para a pequena empresa de TI.

É ainda um mercado próximo da nossa sede em Madrid, o que nos permite ter um maior controlo da operação local.

 

– Como se propõe a ajudar as PME de IT portuguesas a reforçarem as suas capacidades e posicionamento no segmento de cloud?

Até agora, não era vantajoso para pequenas empresas de TI venderem estes serviços, porque precisavam de perfis especializados muito caros para gerir as plataformas existentes. Além disso, tinham pouca margem de lucro e perdiam destaque, pelo que preferiam continuar a vender hardware e a instalar a infraestrutura nos escritórios dos seus clientes. Quando se é uma pequena empresa de TI a venda deste serviço não é um processo simples e os grandes intervenientes no mercado não facilitam.

Por isso, a nossa proposta é oferecer uma simples plataforma que ajuda a gerir e vender serviços cloud, que oferece altas margens de benefício em formato de marca branca e com um serviço de apoio técnico rápido e de qualidade – algo que acreditamos ainda não existir no mercado português. Acreditamos que ao ajudar e ao tornar as pequenas empresas de TI mais competitivas, tornamos a cloud mais acessível e podemos assim democratizar a sua utilização para as PMEs portuguesas.

 

– Como caracteriza a Jotelulu o universo de PME tecnológica em Portugal? Somos um mercado maduro? Quais os pontos fortes e pontos fracos?

Quando pretendemos expandir o nosso negócio também tivemos em atenção o cenário tecnológico e Portugal foi uma escolha natural para nós. Nos últimos anos, cada vez mais empresas da área tecnológica se têm instalado em Portugal e, invariavelmente, esta tendência mexe com o ecossistema que se tem vindo a desenvolver. Esta realidade vem potenciar o desenvolvimento do próprio país e permite que Portugal assuma uma posição cada vez mais central a nível europeu e mundial enquanto hub tecnológico de excelência.

Contudo, ao compararmos Portugal com outros centros europeus, percebemos que o desenvolvimento tecnológico nacional é ainda uma tendência relativamente recente e com espaço e tempo para crescer. É aqui que entra a Jotelulu, pois, através da nossa plataforma, queremos fazer com que PMEs tecnológicas se tornem mais competitivas e inovadoras e sejam capazes de fazer chegar os benefícios da cloud à pequena empresa, sem que deixem de ser competitivas.

 

– E em termos de cloud? Em Portugal é uma tecnologia madura ou há ainda espaço significativo para crescimento? Tem havido grande procura por cloud nos últimos anos? Podem quantificar essa evolução da procura?

Atualmente, e muito devido à pandemia, vemos em Portugal as pequenas empresas a afastar-se do investimento em hardware e software localizado nos seus escritórios, para migrarem para um modelo baseado na nuvem. A necessidade de ter um ambiente de trabalho remoto, armazenamento e uma central telefónica virtual (telefonia IP), a partir de qualquer lugar e a partir de qualquer dispositivo, veio aumentar a procura pela cloud e abriu espaço para o crescimento desta tecnologia. Os números assim o dizem: as previsões do FutureScape 2022, da IDC Portugal, revelam que os investimentos diretos na transformação digital vão aumentar em média, por ano, 16,5%, entre 2022 e 2025, sendo que as despesas por parte das empresas em serviços públicos de cloud representam mais de 20% da despesa empresarial em TI.

No entanto, a tendência é que apenas as médias e grandes empresas conseguem mover-se para a nuvem e levar a cabo uma verdadeira transformação digital, pois têm os recursos suficientes para o fazer. As PMEs não têm especialistas de TI nas suas equipas, por isso, tendem a externalizar a sua gestão para uma empresa de TI. No entanto, as próprias empresas de TI, que são as que têm de vender e implementar a nuvem nas PMEs, têm também dificuldade em oferecer este serviço aos seus clientes, dado que os acordos de preços que têm com os fornecedores tradicionais de cloud prejudicam a sua competitividade. Face este contexto, acreditamos que há ainda há muito a fazer para democratizar a cloud em Portugal, sendo este o momento certo para trazer novas soluções, como a nossa, para o mercado.

 

– Como podem as PME competir com empresas maiores e já bem estabelecidas, como a Google ou a Microsoft no universo da cloud?

Acreditamos que as pequenas empresas de TI não competem realmente com os grandes intervenientes no mercado, que vão para nichos diferentes. Os grandes players (AWS, Google, MS Azure…) criaram plataformas de nuvem complexas, que requerem perfis informáticos especializados, a preços elevados, limitando a sua venda a médias e grandes empresas.

A realidade é que as pequenas empresas de TI (os nossos parceiros) são diferentes. Estas empresas dirigem-se a um nicho muito específico, às PMEs, que procuram uma solução de nuvem fiável, segura, rentável e que não varie de mês para mês. Com a Jotelulu, estas pequenas empresas de TI podem comercializar estes serviços sem complicações, a um preço que se adequa ao pequeno negócio e sob a sua própria marca, tornando-os verdadeiramente competitivos.

 

– Quais os conselhos que dariam a uma PME tecnológica portuguesa para singrar no mundo da cloud?

Diria que este é o momento certo para se investir na nuvem, que é um mercado com muito potencial e que, após a pandemia, as pequenas empresas perceberam a importância da mobilidade e do teletrabalho. O resto é um pouco como sempre, encontrar bons fornecedores em quem confiar e ouvir as necessidades da PMEs para oferecer a solução que necessitam.

 

– Como é que a “plataforma cloud de marca branca” da Jotelulu pode ajudar as pequenas e médias tecnológicas portuguesas a serem mais fortes?

Como referi anteriormente, a nossa plataforma permite às empresas de TI, com perfis pouco especializados, que sejam capazes de implementar e gerir serviços complexos, os nossos preços deixam uma boa margem de lucro, a marca branca permite que a empresa seja a protagonista e a equipa de apoio da Jotelulu está sempre disponível para ajudar diretamente.

Para além disso, fazemos algo que mais ninguém faz no mercado, apoiamos pequenas empresas de TI com ferramentas específicas, durante todo o ciclo de vida dos serviços que vendem: desde marketing, vendas, gestão legal, técnica e faturação. Desta forma, abrimos a porta à cloud para inúmeras pequenas empresas tecnológicas que até hoje viam esta tecnologia como um produto para grandes empresas e damos as ferramentas para que se tornem mais competitivas e fortes.

 

– Quais os planos para Portugal? Quantas pessoas têm atualmente a trabalhar em Portugal e quantas querem ter nos próximos anos?

Acabámos de lançar a plataforma em Portugal e, em pouco mais de um mês, conseguimos resultados muito satisfatórios, com muitos clientes e um interesse e uma receção que não esperávamos. A nossa ideia é crescer e estabelecer-nos em Portugal, onde acreditamos que as necessidades são as mesmas que em Espanha e é por isso que temos grandes expectativas. Dito isto, vamos aumentar a nossa equipa à medida que o mercado o exigir. Temos, atualmente, 3 pessoas dedicadas exclusivamente ao mercado português e esperamos ter 10, ou mais, até ao final do ano ou início do próximo.

 

– Quais a previsões em termos de volume de negócio e receitas para 2022 ou 2023?

Como comentei anteriormente, é cedo para fazer previsões. Estamos numa fase muito precoce, mas as expectativas são muito elevadas porque a receção é incrível.

 

– Têm escritórios em Portugal? Onde? Querem ter mais?

Para já não temos um escritório local e lideramos a operação a partir de Madrid. Temos, contudo, o objetivo de aumentar a equipa e de ter o nosso próprio espaço dentro de uns meses.

 

– Que nível de investimento têm planeado para Portugal para este ano e para os próximos?

O nosso objetivo é crescer no mercado português. Queremos continuar a desenvolver a plataforma e criar funcionalidades e serviços que acrescentem valor para os nossos partners (as empresas de TI). A médio prazo, a ideia é continuar com o processo de internacionalização na Europa. Nos próximos meses, investiremos também no mundo das comunicações em Portugal, através do serviço de Central TelefonicaVirtual (VoIP). Isto permite às empresas de TI saltar no comboio das comunicações e implementar este tipo de serviço aos seus clientes de uma forma fácil e intuitiva.

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