Spider: a nova máquina de guerra da Ucrânia promete atacar tanques, fortificações e drones no mesmo campo de batalha

Sistema foi mostrado num evento da Associação Nacional das Indústrias de Defesa da Ucrânia e surge como mais um sinal da rápida evolução da guerra robótica no conflito

Francisco Laranjeira

A Ucrânia apresentou uma nova plataforma terrestre não tripulada de apoio de fogo, batizada Spider, capaz de atingir alvos terrestres e aéreos e desenhada para operar em algumas das zonas mais perigosas da guerra sem presença humana direta.

O sistema foi mostrado num evento da Associação Nacional das Indústrias de Defesa da Ucrânia e surge como mais um sinal da rápida evolução da guerra robótica no conflito.

Segundo a descrição divulgada, a plataforma foi concebida para destruir veículos blindados, fortificações, pessoal inimigo e alvos aéreos de baixa velocidade. A capacidade de enfrentar drones é uma das novidades mais relevantes, numa altura em que o espaço aéreo de curta distância se tornou uma das frentes mais sensíveis da guerra.

O Spider pode receber diferentes tipos de armamento, entre os quais a metralhadora pesada Browning M2, a metralhadora PKT, o lançador de granadas AGS-17 e o Mk 19. Um dos elementos que mais alarga o seu leque de utilização é o ângulo de elevação até 70 graus, permitindo-lhe não só responder a alvos no terreno, mas também atacar ameaças elevadas.

A mobilidade é assegurada por um chassis de lagartas, pensado para operar em terrenos difíceis e alcançar de forma autónoma as posições designadas. A lógica é simples: colocar uma máquina armada onde antes seria necessário expor soldados a fogo direto ou a zonas sob ameaça constante.

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Uma das características mais destacadas é a autonomia, que pode chegar a 72 horas, dependendo da intensidade da missão. Esse tempo de operação permite ao sistema manter posições ou cumprir tarefas prolongadas sem necessidade de rotação, o que aumenta a sua utilidade em operações de desgaste ou defesa.

A plataforma dispõe de consciência situacional de 360 graus, uma função considerada essencial para sistemas operados à distância, frisou a publicação ‘Euromaidan Press’. A versão apresentada utiliza um casco de aço, numa solução pensada para manter peso e dimensões compatíveis com futuras variantes blindadas.

O controlo do Spider pode ser feito através de vários canais, incluindo LTE, rádio, Starlink e fibra ótica. Esta arquitetura multicanal foi desenhada para aumentar a resistência a interferências e à guerra eletrónica, um dos fatores que mais têm condicionado o desempenho de sistemas remotos no campo de batalha ucraniano.

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A plataforma encontra-se ainda em processo de codificação para eventual integração oficial nas Forças de Defesa da Ucrânia. Ainda assim, o seu aparecimento é já visto como reflexo de uma mudança mais profunda: a guerra está a caminhar para um modelo em que plataformas remotas assumem missões que antes dependiam diretamente de soldados na linha da frente.

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