SpaceX entra no Nasdaq 100 esta terça-feira: pode a ação de Elon Musk voltar a disparar?

Inclusão da empresa de Elon Musk no índice tecnológico pode obrigar fundos indexados a comprar ações e criar uma nova vaga de procura pelo título, mas os analistas avisam: a possível subida pode não durar muito

Executive Digest

A SpaceX prepara-se para entrar esta terça-feira no Nasdaq 100, poucos dias depois da maior estreia em bolsa da história. A inclusão da empresa de Elon Musk no índice tecnológico pode obrigar fundos indexados a comprar ações e criar uma nova vaga de procura pelo título, mas os analistas avisam: a possível subida pode não durar muito.

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A empresa, que negoceia com o ticker SPCX, será adicionada ao índice antes da abertura da sessão, depois de ter entrado em bolsa a 12 de junho. A ‘Reuters’ noticiou que a SpaceX fixou o preço da oferta pública inicial em 135 dólares por ação, cerca de 116 euros, numa operação recorde de 75 mil milhões de dólares, aproximadamente 64 mil milhões de euros, avaliando a empresa em 1,77 biliões de dólares, cerca de 1,51 biliões de euros.

Porque é que a entrada no Nasdaq 100 importa?

A resposta está nos fundos indexados. Quando uma empresa passa a integrar um índice relevante, os ETF e fundos de investimento que replicam esse índice têm de comprar ações para ajustar as carteiras. No caso da SpaceX, a entrada no Nasdaq 100 coloca a empresa automaticamente no radar de produtos financeiros que seguem um dos principais índices tecnológicos de Wall Street.

Segundo o ‘Wall Street Journal’, fundos que acompanham o Nasdaq 100 gerem cerca de 800 mil milhões de dólares em ativos, aproximadamente 684 mil milhões de euros, e terão de comprar ações da SpaceX para refletir a nova composição do índice. Apesar da avaliação superior a dois biliões de dólares, a empresa deverá ter um peso inferior a 1% no índice, devido ao reduzido número de ações disponíveis para negociação.

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O maior destes produtos é o Invesco QQQ Trust, conhecido por replicar o Nasdaq 100 e amplamente usado por investidores que procuram exposição às grandes tecnológicas. De acordo com o texto citado, o QQQ tem cerca de 481 mil milhões de dólares sob gestão, perto de 411 mil milhões de euros, e é um dos ETF mais negociados nos Estados Unidos.

A lei da oferta e da procura joga a favor da SpaceX

O raciocínio de mercado é simples: se muitos fundos forem obrigados a comprar ações e a quantidade disponível for limitada, o preço pode subir. É a lógica clássica da oferta e da procura aplicada a uma das empresas mais mediáticas de Wall Street.

A SpaceX tem um free float reduzido, ou seja, uma percentagem limitada de ações disponível para negociação pública. Estimativas citadas no texto apontam para cerca de 281,2 milhões de ações disponíveis. Ao mesmo tempo, o peso inicial da empresa no Nasdaq 100 poderá ficar entre 0,47% e 0,7%. No cenário mais elevado, isso poderia obrigar fundos indexados a comprar cerca de 7 mil milhões de dólares em ações, perto de 6 mil milhões de euros.

Esse movimento ajuda a explicar porque a entrada em índices costuma ser vista como uma notícia positiva para uma ação. Mais compradores forçados significam mais procura. E, quando a oferta é curta, o preço tende a reagir.

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Mas a subida pode já estar descontada

O problema é que Wall Street raramente espera pelo dia oficial. Investidores institucionais e operadores especializados em arbitragem podem comprar ações entre o anúncio da entrada no índice e a data efetiva da inclusão, antecipando a procura dos fundos indexados.

Isso significa que parte da subida potencial pode acontecer antes da entrada formal. No próprio dia em que a ação passa a integrar o índice, esses investidores podem vender com lucro, o que limita ou até inverte o movimento esperado.

A Barron’s lembra que a história recente recomenda prudência: das 21 empresas adicionadas ao Nasdaq 100 nos últimos dois anos, apenas seis subiram na primeira semana após a entrada. Em média, essas ações caíram 3,8% na semana de estreia no índice, embora tenham registado ganhos médios de 3,6% ao fim de um mês e 6,3% ao fim de três meses.

A ação já mostrou forte volatilidade

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A SpaceX tem vivido semanas instáveis desde a entrada em bolsa. A ação fechou a semana passada nos 162 dólares, cerca de 139 euros, acima do preço de abertura de 150 dólares, perto de 128 euros, mas mais de 20% abaixo dos máximos alcançados nos primeiros dias de negociação.

O mercado de opções indica que os investidores esperam uma oscilação até 8% em qualquer direção até ao final da semana. Um movimento dessa dimensão poderia levar a ação até cerca de 175 dólares, aproximadamente 150 euros, ou fazê-la cair para 148 dólares, perto de 126 euros, o que representaria um novo mínimo de fecho.

A volatilidade é particularmente relevante porque a entrada no Nasdaq 100 pode atrair compradores passivos, mas não elimina dúvidas sobre avaliação, lucros futuros, necessidades de capital e desbloqueio gradual de ações detidas por trabalhadores e investidores iniciais.

Wall Street começa a dividir-se

Os bancos de investimento começaram a acompanhar a empresa. A Wedbush atribuiu à SpaceX uma recomendação de “outperform” e um preço-alvo de 190 dólares, cerca de 162 euros. A KeyBanc assumiu uma posição mais cautelosa, com recomendação neutra, segundo a Investopedia.

Para a Wedbush, a SpaceX já não deve ser vista apenas como uma empresa espacial. Os analistas consideram que a companhia está bem posicionada para se tornar uma grande plataforma tecnológica, combinando lançamentos espaciais, exploração, internet por satélite através da Starlink e infraestrutura ligada à inteligência artificial.

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O Investor’s Business Daily escreve que Dan Ives, da Wedbush, vê a SpaceX como uma empresa apoiada em três pilares: lançamentos, rede Starlink e um segmento crescente ligado a centros de dados e IA. A tese é que a empresa pode vir a funcionar como um “hyperscaler”, competindo no universo das grandes infraestruturas tecnológicas.

Milhões podem ficar expostos à SpaceX sem escolherem a ação

A entrada no Nasdaq 100 tem ainda outro efeito: milhões de investidores que compram ETF ou fundos que replicam o índice poderão passar a deter indiretamente ações da SpaceX, mesmo sem terem decidido investir diretamente na empresa.

É isso que torna a mudança relevante para além dos acionistas da companhia. Quem tem exposição a produtos ligados ao Nasdaq 100, incluindo planos de reforma e carteiras automatizadas, pode passar a ter uma pequena fatia da SpaceX. O peso será reduzido, mas a escala do índice faz com que o impacto agregado seja significativo.

A inclusão surge também num momento de forte atividade nas estreias tecnológicas em bolsa. Depois da SpaceX e da Cerebras, o mercado acompanha a possibilidade de futuras entradas de empresas ligadas à inteligência artificial, como a Anthropic e a OpenAI, embora a volatilidade recente da própria SpaceX possa aumentar a cautela em torno de novas ofertas públicas.

Um impulso possível, mas não garantido

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A entrada no Nasdaq 100 pode dar um novo impulso à ação da SpaceX, sobretudo devido às compras obrigatórias dos fundos indexados. Mas isso não significa que a valorização esteja garantida, nem que seja duradoura.

A curto prazo, a ação ficará entre duas forças opostas: a procura passiva dos fundos e a possível realização de lucros por investidores que já anteciparam a inclusão. A médio prazo, o desempenho dependerá menos da entrada no índice e mais da capacidade da SpaceX de justificar em resultados a avaliação histórica com que chegou ao mercado.

Para os investidores, a pergunta não é apenas se a SpaceX pode subir esta terça-feira. É se a empresa conseguirá provar que vale, como negócio cotado, aquilo que Wall Street já está disposta a pagar pela promessa de ligar espaço, internet e inteligência artificial.

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