Sopa de carne de cão para enfrentar a onda de calor? É este o conselho dado na Coreia do Norte

A sopa de carne de cão tem uma longa tradição na Península da Coreia e é frequentemente associada aos dias mais quentes do verão, por existir a crença de que ajuda a recuperar as energias perdidas devido às temperaturas elevadas

Francisco Laranjeira

Enquanto grande parte do Nordeste Asiático enfrenta uma das mais intensas ondas de calor dos últimos anos, a Coreia do Norte está a aconselhar a população a consumir sopa de carne de cão para reforçar a saúde e enfrentar as temperaturas extremas. A informação foi divulgada pelo jornal oficial do Partido dos Trabalhadores da Coreia e é avançada pela ‘Newsweek’.

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A recomendação surgiu numa entrevista publicada pelo ‘Rodong Sinmun’ com um médico do Hospital Geral de Pyongyang, que defendeu uma alimentação rica em proteínas durante os meses mais quentes do ano.

Segundo o especialista, além de frutas como melancia, uvas, pepino e melão oriental, a população deve consumir peixe, papas de feijão-vermelho e o tradicional dongogi, designação utilizada na Coreia do Norte para a sopa de carne de cão.

“Se o organismo tiver falta de proteínas, a imunidade enfraquece e o apetite diminui”, afirmou o médico, citado pelo jornal oficial do regime.

A sopa de carne de cão tem uma longa tradição na Península da Coreia e é frequentemente associada aos dias mais quentes do verão, por existir a crença de que ajuda a recuperar as energias perdidas devido às temperaturas elevadas.

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Contudo, as duas Coreias seguem hoje caminhos muito diferentes nesta matéria. Na Coreia do Sul, o consumo deste alimento caiu drasticamente nas últimas décadas, sobretudo entre as gerações mais jovens, devido ao aumento das preocupações com o bem-estar animal.

Em 2024, Seul aprovou uma lei que proíbe a criação, abate, distribuição e venda de cães para consumo humano. A legislação prevê um período de transição de três anos, terminando em fevereiro de 2027.

A recomendação das autoridades norte-coreanas surge numa altura em que a região enfrenta temperaturas excecionalmente elevadas. Na Coreia do Sul foi registada a temperatura mais alta desde que existem medições meteorológicas modernas, levando o Presidente Lee Jae Myung a classificar a onda de calor como um “desastre nacional”.

No Japão, mais de 18 mil pessoas foram hospitalizadas com sintomas de insolação durante uma única semana, entre 20 e 26 de julho, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Catástrofes. Nesse mesmo período foram registadas 45 mortes relacionadas com o calor.

A ‘Newsweek’ refere que vários países da região emitiram avisos às populações para evitarem atividades ao ar livre durante as horas de maior calor, numa altura em que as temperaturas extremas estão também a aumentar a pressão sobre os sistemas de saúde, as redes elétricas e a agricultura.

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