“Sonho absurdo”: Irmã de Kim Jong-un recusa que tenham sido retirados altifalantes de propaganda na fronteira com a Coreia do Sul

A República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), liderada por Kim Jong-un, negou esta quinta-feira que tenha retirado altifalantes propagandísticos instalados junto à fronteira com o Sul, contradizendo recentes declarações de Seul, e reafirmou que não pretende melhorar as relações intercoreanas.

Pedro Gonçalves
Agosto 14, 2025
17:31

A República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), liderada por Kim Jong-un, negou esta quinta-feira que tenha retirado altifalantes propagandísticos instalados junto à fronteira com o Sul, contradizendo recentes declarações de Seul, e reafirmou que não pretende melhorar as relações intercoreanas.

A afirmação foi feita por Kim Yo-jong, irmã influente do líder norte-coreano, através de um comunicado divulgado pela agência estatal KCNA sob o título “A esperança de Seul não é nada mais que um sonho absurdo”. Kim declarou que Pyongyang “não retirou nenhum altifalante em zonas fronteiriças, nem tem intenção de o fazer”, sublinhando que não se importa se Seul desmonta os seus próprios dispositivos ou ajusta as suas manobras militares.

“Não temos a vontade de melhorar os laços com o Sul”, acrescentou Kim Yo-jong, garantindo ainda que “esta postura será fixada na Constituição no futuro”.

Esta posição contradiz declarações recentes do Estado-Maior Conjunto sul-coreano, que na semana passada anunciou ter detetado o desmantelamento de alguns altifalantes norte-coreanos, depois de Seul ter completado a retirada dos seus como gesto de distensão.

Em resposta, um funcionário do Ministério da Unificação da Coreia do Sul afirmou que Seul continuará a promover “medidas de normalização e estabilização” para criar uma dinâmica de relações intercoreanas que seja benéfica para ambas as partes, segundo noticiou a agência local Yonhap.

O mesmo responsável sugeriu que o momento da declaração de Kim Yo-jong poderia estar ligado a três acontecimentos iminentes: o discurso presidencial do Sul a 15 de agosto, o início das manobras conjuntas Ulchi Freedom Shield (UFS) entre Seul e Washington a 18 de agosto, e a cimeira entre o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e o presidente dos EUA, Donald Trump, marcada para 25 de agosto em Washington.

As palavras de Kim Yo-jong reforçam declarações feitas na semana passada, nas quais qualificou a Coreia do Sul como “o inimigo”, rejeitando retomar o diálogo intercoreano.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa norte-coreano alertou para contramedidas caso sejam “ultrapassadas linhas vermelhas” durante os exercícios UFS, embora oficiais do Comando de Forças Combinadas de Washington e Seul e representantes sul-coreanos tenham interpretado o tom como mais moderado do que em anos anteriores.

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