Sondagem: Serviço militar obrigatório e privatização da TAP entre os temas que dividem os portugueses

O estudo revela um empate técnico: 47% dos inquiridos defendem o regresso da obrigatoriedade do serviço militar para os homens, enquanto outros 47% se opõem à medida. No caso das mulheres, a oposição é mais expressiva, com 64% contra a obrigatoriedade do serviço e apenas 29% a favor.

Pedro Gonçalves
Abril 3, 2025
9:49

O debate sobre o regresso do serviço militar obrigatório em Portugal está ao rubro, numa altura em que o contexto geopolítico europeu tem reacendido a discussão sobre a necessidade de reforço das Forças Armadas. De acordo com uma sondagem da Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e Jornal de Notícias (JN), este é um dos temas mais fraturantes entre os portugueses. O estudo revela um empate técnico: 47% dos inquiridos defendem o regresso da obrigatoriedade do serviço militar para os homens, enquanto outros 47% se opõem à medida. No caso das mulheres, a oposição é mais expressiva, com 64% contra a obrigatoriedade do serviço e apenas 29% a favor.

Uma análise mais detalhada dos dados mostra que os principais defensores do regresso do serviço militar obrigatório são precisamente os homens, ao passo que a maioria das mulheres rejeita a imposição. Curiosamente, também há um padrão inverso: são mais os homens que defendem a obrigatoriedade para as mulheres, enquanto a maioria do sexo feminino se opõe. A faixa etária também desempenha um papel determinante, com as gerações mais velhas a apoiarem a medida e os jovens a mostrarem-se contra. No espectro político, os eleitores do Chega são os que mais apoiam a obrigatoriedade do serviço militar para ambos os sexos, enquanto os votantes na CDU são os que mais rejeitam esta possibilidade.



No âmbito da Defesa, outros temas apresentaram maior consenso. A despesa com as Forças Armadas conta com um apoio significativo, com 73% dos portugueses a favor do aumento do investimento. A criação de umas Forças Armadas europeias também recolhe um amplo apoio, com 79% de concordância. Quanto ao apoio militar de Portugal à Ucrânia, 74% dos inquiridos manifestaram-se favoráveis.

Outro tema que gerou divisão foi a privatização da TAP. Segundo a sondagem, 49% dos portugueses apoiam a privatização da transportadora aérea nacional, enquanto 39% se opõem, uma diferença relativamente curta de dez pontos percentuais. No entanto, a opinião sobre este assunto varia consoante o género: os homens são mais favoráveis à privatização do que as mulheres, com uma diferença de 19 pontos percentuais. Por outro lado, a oposição à privatização cresce com o avançar da idade, sendo os mais velhos os mais reticentes em relação à medida.

No que toca à construção do novo aeroporto em Alcochete, os portugueses também apresentam opiniões divergentes, com um saldo positivo de apenas 22% entre os que são favoráveis e os que são contra. A regionalização é outro tema sem consenso absoluto: embora 51% dos inquiridos a defendam, 34% manifestam-se contra.

Entre os temas que registam maior consenso, destaca-se o aumento das reformas e das pensões, uma medida apoiada por 92% dos portugueses. A medida é particularmente aplaudida pelos mais velhos, mas também encontra um apoio transversal entre diferentes grupos etários e de género. A obrigatoriedade de exames nacionais para todos os alunos do 12.º ano também tem uma aceitação significativa, com 82% de aprovação.

Relativamente à imigração, 78% dos inquiridos acreditam que Portugal deveria apenas permitir a entrada de imigrantes que já tenham um comprovativo de emprego. Esta opinião está fortemente correlacionada com a idade e a classe social: os mais velhos e os mais pobres são os que mais apoiam a medida, enquanto os mais jovens e os mais ricos se mostram mais contrários. Os eleitores do Chega destacam-se como os maiores defensores desta posição, com 92% de apoio.

Na área da Saúde, também há uma forte concordância em relação à obrigatoriedade de serviço mínimo de médicos e enfermeiros no setor público, com 73% de apoio face a 22% de oposição. Já as parcerias público-privadas (PPP) na Saúde contam com a aprovação de 69% dos inquiridos, sendo os mais jovens, os mais ricos e os eleitores da Aliança Democrática os mais favoráveis a esta solução.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.