O Partido Socialista (PS) superou a Aliança Democrática (AD) nas intenções de voto, consolidando-se como o provável vencedor se as eleições legislativas ocorressem hoje.
Esta inversão nas preferências eleitorais foi revelada pelo mais recente barómetro da Intercampus para o Correio da Manhã, CMTV e Jornal de Negócios. Contudo, a margem entre os dois partidos é estreita, sugerindo um possível empate técnico.
Em julho, a AD, coligação que inclui o PSD de Luís Montenegro, tinha uma vantagem de 2,5 pontos percentuais sobre o PS (26,4% contra 23,9%). No entanto, a nova sondagem, realizada entre 29 de agosto e 4 de setembro, mostra uma mudança significativa. O PS, liderado por Pedro Nuno Santos, registou um aumento de 4,5 pontos percentuais, atingindo 28,4% das intenções de voto, enquanto a AD se manteve praticamente estável com 26,6%.
SNS e Orçamento do Estado: Fatores Decisivos
Este crescimento nas intenções de voto a favor do PS é atribuído, em parte, ao desgaste sofrido pela coligação governamental devido a problemas recorrentes nas urgências do Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante o mês de agosto. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem enfrentado uma série de críticas, que poderão ter prejudicado a imagem da AD, abrindo espaço para os socialistas.
Adicionalmente, a posição firme do PS nas negociações do próximo Orçamento do Estado também terá contribuído para os ganhos dos socialistas. As suas propostas são vistas como mais sólidas e promissoras, o que parece estar a convencer uma parte significativa do eleitorado.
Reduções à Direita: Chega e Iniciativa Liberal em Queda
Os partidos à direita do PSD, nomeadamente o Chega e a Iniciativa Liberal (IL), registaram quedas nas intenções de voto. O Chega, liderado por André Ventura, mantém-se como a terceira força política, mas desceu um ponto percentual, fixando-se agora em 13,3%. A IL, liderada por Rui Rocha, também perdeu apoio, com uma queda de 1,6 pontos percentuais, situando-se nos 7,4%.
Apesar destas quedas, o conjunto dos partidos que ocupam o espectro político entre o centro-direita e a extrema-direita (AD, IL e Chega) continua a somar uma maioria com 47,3% das intenções de voto. Isto indica que, apesar dos recuos, a direita ainda mantém uma vantagem face ao bloco de esquerda.
Esquerda Fragmentada, PS em Ascensão
Do lado esquerdo do espectro político, o PS destacou-se pela sua subida significativa, mas os restantes partidos à esquerda registaram resultados mais modestos ou em queda. A CDU, composta pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes, aumentou em um ponto percentual, atingindo os 3,2%, apesar de continuar com um valor modesto. O Bloco de Esquerda (BE), liderado por Mariana Mortágua, sofreu uma ligeira descida, situando-se agora nos 5,7%, mantendo o quinto lugar nas preferências dos eleitores.
Os partidos Livre e PAN, que são tradicionalmente associados a causas progressistas e ambientais, sofreram as maiores quedas. O Livre, de Rui Tavares, desceu 2,2 pontos percentuais para 2,7%, enquanto o PAN, liderado por Inês Sousa Real, perdeu 2,1 pontos percentuais, ficando em 1,2%. Estes resultados refletem uma perda de apoio significativa para ambos os partidos.
Direita com Maioria, Esquerda em Desvantagem
Se as eleições legislativas fossem realizadas hoje, os partidos à direita conseguiriam manter uma maioria no Parlamento, com um total de 47,3% das intenções de voto, contra 41,2% dos partidos de esquerda. No entanto, cerca de 10% dos inquiridos afirmaram estar indecisos, o que pode mudar o cenário até à data das próximas eleições.
Popularidade dos Líderes: Montenegro e Pedro Nuno Santos com Notas Positivas
Entre os líderes partidários, apenas Luís Montenegro (PSD) e Pedro Nuno Santos (PS) obtêm avaliações positivas dos eleitores, numa escala de 1 a 5. Montenegro, com 3,3, e Pedro Nuno Santos, com 3,1, destacam-se como os mais populares. O secretário-geral do PS foi o que mais viu a sua popularidade aumentar durante o mês de agosto.
Por outro lado, os líderes com as piores avaliações são Paulo Raimundo, do PCP, e André Ventura, do Chega, ambos com 2,3. Rui Rocha (IL), com 2,9, Rui Tavares (Livre) com 2,8, e Mariana Mortágua (BE) com 2,7 encontram-se na média de popularidade, seguidos por Inês Sousa Real (PAN) com 2,6, e Nuno Melo (CDS-PP) com 2,5.
Ana Paula Martins, ministra da Saúde, continua a ser a figura mais impopular do Governo. O percentual de inquiridos que a consideram a pior ministra subiu de 12,2% para 17,5% de julho para agosto. O seu desempenho na gestão das urgências do SNS tem sido amplamente criticado, agravando a sua imagem negativa.
O ministro da Habitação e Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, segue na lista dos mais impopulares, sendo considerado o pior ministro por 5,1% dos inquiridos.













