O apoio à greve geral convocada pela CGTP para 3 de junho destaca-se como um dos principais sinais de contestação social ao novo pacote laboral do Governo. Apesar de a maioria dos portugueses não prever aderir à paralisação, mais de metade concorda com a realização do protesto, numa altura em que a reforma do Código do Trabalho entra numa nova fase de debate parlamentar e político.
Segundo uma sondagem realizada pela Intercampus para o CM, CMTV, NOW e “Negócios”, 56,9% dos inquiridos consideram legítima a convocação da greve geral marcada para o próximo dia 3 de junho, enquanto 32,7% discordam da iniciativa. Ainda assim, o estudo revela que a adesão efetiva deverá ser limitada, já que 62,5% afirmam não tencionar participar na paralisação.
A sondagem mostra também um país dividido quanto à decisão do Executivo de avançar com a reforma laboral sem entendimento com os sindicatos. Cerca de 49,7% defendem que o Governo faz bem em entregar o pacote laboral ao Parlamento para discussão e aprovação, ao passo que 41,9% consideram que o melhor seria desistir de alterar a legislação nestes moldes. Já quando questionados sobre a necessidade de rever as leis laborais, 58,6% entendem que não é positivo manter tudo como está.
No plano político, os portugueses surgem igualmente divididos sobre quem deverá viabilizar a reforma. A opção mais escolhida pelos inquiridos foi a de o Governo procurar apoio simultaneamente junto do PS e do Chega, cenário apontado por 31,5%. Ainda assim, aumentou significativamente a percentagem dos que defendem que a AD deve avançar sozinha: essa posição passou de 8,9% em abril para 24,3%. Apenas 10,9% indicam o Chega como parceiro preferencial da coligação governamental.
O avanço do pacote laboral para a Assembleia da República coincidiu com novas críticas da ministra do Trabalho à posição assumida por António José Seguro durante as negociações. Em declarações à Antena 1, Maria do Rosário Palma Ramalho acusou o candidato presidencial de ter “empoderado a UGT” ao afirmar que vetaria medidas sem acordo daquela central sindical. Segundo a governante, essa posição acabou por legitimar a ausência de entendimento com o Executivo, considerando que “a UGT ficou legitimada para não celebrar o acordo, como veio a acontecer”.
A ministra deixou ainda um aviso sobre a negociação parlamentar da reforma laboral, admitindo entendimentos à direita caso o PS mantenha a oposição ao diploma. “Se o PS se entrincheirar nesta posição de que isto é aquilo a que chamam de contrarreforma, então negociaremos com o Chega e com a IL, como é óbvio”, afirmou. Ainda assim, Palma Ramalho afastou uma das exigências do partido liderado por André Ventura — a redução da idade da reforma para os 65 anos — classificando a proposta como “surreal” devido ao impacto estimado de 2,6 mil milhões de euros anuais nas contas públicas.







