Sondagem mostra desgaste dos líderes europeus: Quem é o menos popular?

A popularidade do chanceler alemão, Friedrich Merz, está a deteriorar-se rapidamente, num contexto em que vários líderes europeus enfrentam níveis de aprovação reduzidos.

Pedro Gonçalves

A popularidade do chanceler alemão, Friedrich Merz, está a deteriorar-se rapidamente, num contexto em que vários líderes europeus enfrentam níveis de aprovação reduzidos. Dados recentes indicam que o dirigente alemão perdeu apoio de forma mais acentuada do que outros governantes do continente, ao mesmo tempo que o seu partido sofreu um revés eleitoral relevante a nível regional.

A situação tornou-se particularmente evidente após as eleições estaduais realizadas a 8 de março em Baden-Württemberg, o terceiro estado mais populoso da Alemanha. O partido de Merz, a União Democrata-Cristã (CDU), não conseguiu alcançar o primeiro lugar, sendo ultrapassado pelos Verdes numa votação renhida.

De acordo com os resultados eleitorais, o partido ecologista obteve 30,2% dos votos, ficando à frente da CDU e abrindo caminho para a formação de um governo regional que poderá incluir uma coligação com o partido de Merz.

Já o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de direita populista, registou uma subida expressiva. A formação quase duplicou o resultado obtido nas eleições estaduais de 2021, alcançando 18,8% dos votos e consolidando-se como a terceira força política no estado.

Este resultado eleitoral surge num momento em que o chanceler enfrenta um desgaste político crescente, refletido nas sondagens de opinião tanto a nível nacional como internacional.

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Aprovação de Merz cai de forma acentuada
Os dados do Observatório de Líderes Europeus da YouGov indicam que o índice de aprovação líquida de Friedrich Merz sofreu uma queda significativa desde o verão de 2025.

Em junho desse ano, o chanceler apresentava uma avaliação líquida de -14 pontos. No entanto, em fevereiro de 2026, esse indicador tinha descido para -48, o que representa uma quebra de 34 pontos — a mais acentuada entre os líderes europeus analisados pelo estudo.

A mesma análise revela ainda que apenas 23% dos alemães têm atualmente uma opinião favorável sobre Merz, enquanto 71% expressam uma avaliação negativa.

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Sondagens nacionais mostram um panorama semelhante, embora ligeiramente menos severo. Segundo o mais recente Barómetro Político da ZDF, 54% dos alemães consideram que o chanceler está a desempenhar mal as suas funções, ao passo que 43% avaliam positivamente o seu trabalho.

O estudo também aponta para dúvidas quanto ao futuro da liderança do político dentro do seu próprio partido: cerca de seis em cada dez alemães afirmam não acreditar que Merz consiga continuar a liderar eficazmente a CDU, enquanto 34% consideram que isso ainda é possível.

Popularidade pessoal inferior à de outros políticos alemães
Além da avaliação negativa do desempenho governativo, Merz surge igualmente atrás de vários colegas de governo no que diz respeito à popularidade pessoal.

Numa escala que vai de +5 a -5, o chanceler obtém uma classificação de -0,5. Em contraste, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, surge como o político mais bem avaliado, com uma pontuação positiva de +2,1.

Esta diferença sugere que parte do eleitorado distingue entre o desempenho do chanceler e o de outras figuras políticas no executivo.

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Reformas prometidas e ritmo de governação
Para Marc Debus, cientista político da Universidade de Mannheim, o declínio da popularidade de Merz pode estar relacionado com a perceção de que o governo demorou mais tempo do que o prometido a concretizar reformas estruturais.

O académico explicou que, durante a campanha eleitoral, a coligação CDU/CSU e o próprio Merz prometeram mudanças rápidas na política económica e social. No entanto, segundo Debus, a implementação dessas medidas acabou por avançar a um ritmo mais lento.

“A CDU/CSU e o governo de Friedrich Merz prometeram, durante a campanha eleitoral, que a mudança seria rápida e que as reformas seriam lançadas rapidamente”, afirmou o investigador. No entanto, acrescentou, “estas reformas não foram adoptadas e implementadas tão rapidamente como prometido; só no inverno e na primavera é que foram introduzidas alterações fundamentais na política económica e social”.

Debus salientou ainda que eleições regionais como a de Baden-Württemberg podem funcionar como um barómetro do sentimento político nacional. Nestes casos, os eleitores utilizam o voto para expressar aprovação ou descontentamento em relação ao governo federal.

Tendência de impopularidade entre líderes europeus
A situação de Merz reflete uma tendência mais ampla no panorama político europeu, onde vários líderes enfrentam dificuldades em conquistar o apoio do eleitorado.

Entre os governantes analisados, o presidente francês Emmanuel Macron surge com a pior avaliação. Apenas 19% dos franceses dizem ter uma opinião favorável sobre o chefe de Estado, segundo dados da YouGov.

A popularidade de Macron manteve-se baixa ao longo do último ano, tendo sofrido uma queda particularmente acentuada entre agosto e setembro de 2025 antes de registar uma ligeira recuperação no início de 2026.

A história política francesa oferece precedentes de níveis de aprovação igualmente baixos: em 2016, o então presidente François Hollande chegou a registar apenas 4% de apoio popular.

Starmer também enfrenta dificuldades no Reino Unido
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer apresenta igualmente avaliações negativas. Apenas 21% dos britânicos dizem ter uma opinião favorável sobre o líder do governo, enquanto 71% expressam desaprovação.

Em contraste, alguns líderes europeus apresentam classificações um pouco mais favoráveis, embora ainda longe de uma maioria clara.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez conta com uma opinião favorável de 32% dos espanhóis, enquanto a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni reúne 35% de aprovação. Ambos têm mantido níveis de popularidade relativamente estáveis.

Frederiksen destaca-se como a líder mais popular
Entre os seis líderes analisados, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen surge como a figura mais bem posicionada nas sondagens. Cerca de 43% dos dinamarqueses dizem ter uma opinião favorável sobre a líder do governo.

Este nível de apoio ocorre num contexto de tensões internacionais relacionadas com a ilha da Gronelândia, após ameaças renovadas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o território.

Apesar disso, nenhum dos líderes incluídos no estudo consegue atingir uma maioria de avaliações positivas.

Segundo Marc Debus, uma das razões para a insatisfação generalizada pode estar ligada às dificuldades que os governos europeus enfrentam para cumprir as promessas eleitorais num contexto internacional complexo.

A guerra desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, por exemplo, obrigou vários países a aumentar significativamente os gastos com defesa.

“Podem ter de ser afetados mais fundos à defesa do que a outras áreas políticas”, explicou Debus, acrescentando que essa realidade pode contribuir para “a insatisfação geral dos eleitores em relação aos governos”.

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