Sondagem: Maioria dos portugueses rejeita pacote laboral e defende greve geral

A maioria dos portugueses reprova o pacote de revisão da lei laboral apresentado pelo Governo e considera justificada a realização de uma greve geral, revelando um forte distanciamento face aos argumentos do Executivo.

Revista de Imprensa

A maioria dos portugueses reprova o pacote de revisão da lei laboral apresentado pelo Governo e considera justificada a realização de uma greve geral, revelando um forte distanciamento face aos argumentos do Executivo. Apesar da insistência governamental na necessidade de alterar as regras laborais — acompanhada da promessa de subida do salário mínimo para 1.600 euros —, os trabalhadores não veem benefícios claros nas medidas propostas e alinham, maioritariamente, com as posições defendidas pelos sindicatos.

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Segundo um barómetro da Intercampus, divulgado pelo Correio da Manhã, CMTV e Negócios, 60,4% dos inquiridos entendem que os sindicatos tiveram razão em convocar a greve geral realizada a 11 de dezembro. Embora apenas 24,2% dos participantes no estudo tenham aderido efetivamente à paralisação, a sondagem mostra que existe um apoio alargado à contestação sindical e uma rejeição clara da narrativa oficial sobre os efeitos positivos da reforma.

Os dados revelam ainda que 70,4% dos inquiridos consideram que facilitar os despedimentos nas empresas não contribuirá para aumentar a produtividade nem o crescimento económico. Mesmo admitindo um eventual impacto positivo, quase metade dos participantes (48,3%) afirma que não aceitaria a medida por discordar do princípio subjacente. No mesmo sentido, 54,3% rejeitam a possibilidade de alargar os despedimentos à Função Pública, um cenário que o próprio Governo tem procurado afastar do debate.

Quando questionados sobre o equilíbrio da legislação laboral em Portugal, a perceção dominante é de desequilíbrio a favor dos empregadores. Para 61,2% dos inquiridos, a lei está mais do lado dos patrões, enquanto apenas 17,5% consideram que os trabalhadores são os principais beneficiados. Estes números ajudam a explicar a resistência generalizada às mudanças propostas e a desconfiança em relação às intenções do Executivo.

Apesar de a primeira versão do pacote laboral, apresentada em junho, ter sido entretanto alterada, a contestação sindical mantém-se ativa. A CGTP convocou uma nova manifestação para 13 de janeiro, em Lisboa, com um percurso entre o Largo Camões e o Palacete de São Bento, onde uma delegação será recebida pelo primeiro-ministro Luís Montenegro no dia 7. A Concertação Social reúne-se a 14 de janeiro, enquanto a UGT, que regressou às negociações, garante que não assinará qualquer acordo sem ouvir todas as partes, com o seu secretário-geral, Mário Mourão, a desafiar os patrões a entrarem de forma mais ativa no diálogo.

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