Sondagem: Maioria dos portugueses defende que partido vencedor das legislativas deve governar sozinho, mesmo sem maioria absoluta. Montenegro apontado como culpado pela crise

Se o Partido Socialista (PS) vencer as eleições sem maioria absoluta, 54,2% dos inquiridos defendem que a AD deve permitir que os socialistas governem sozinhos, enquanto 30,2% discordam. Se a AD for o partido mais votado, a margem de apoio a um governo minoritário é ainda maior: 63,3% dos participantes consideram que a coligação liderada por Luís Montenegro deve assumir o Governo sem necessitar de acordos.

Revista de Imprensa
Março 31, 2025
8:54

Um governo minoritário do partido mais votado nas legislativas de 18 de maio deve ser a solução adotada, caso não haja uma maioria absoluta. Esta é a principal conclusão do mais recente barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV, que revela que os portugueses rejeitam alianças pós-eleitorais e, sobretudo, um eventual entendimento da Aliança Democrática (AD) com o Chega.

Se o Partido Socialista (PS) vencer as eleições sem maioria absoluta, 54,2% dos inquiridos defendem que a AD deve permitir que os socialistas governem sozinhos, enquanto 30,2% discordam. Se a AD for o partido mais votado, a margem de apoio a um governo minoritário é ainda maior: 63,3% dos participantes consideram que a coligação liderada por Luís Montenegro deve assumir o Governo sem necessitar de acordos. Segundo os autores do estudo, os eleitores mostram uma clara preferência pela estabilidade, ao defenderem que o partido derrotado deve aceitar os resultados e evitar bloqueios.



As coligações pós-eleitorais revelam-se pouco consensuais. Caso o PS procure apoio de partidos à esquerda, como o Bloco de Esquerda, Livre ou PCP, a opinião divide-se: 40,7% apoiam essa possibilidade, enquanto 41,7% são contra. No caso de um acordo entre PS e AD para um Bloco Central, a indecisão mantém-se, com 41,3% dos inquiridos a considerar viável essa solução e 40,7% a preferirem que o PS governe sozinho. Se a situação for inversa e for a AD a tentar um entendimento com os socialistas, os números revelam a mesma falta de consenso.

No entanto, um cenário de coligação entre a AD e o Chega é claramente rejeitado pela maioria dos portugueses. Perante a hipótese de Luís Montenegro não conseguir uma maioria absoluta, 69,3% dos inquiridos afirmam que preferem um governo minoritário da AD a uma aliança com André Ventura, reforçando o “não é não” que a coligação tem vindo a afirmar desde as últimas eleições.

A sondagem da Intercampus também revela quais são as principais preocupações dos portugueses para esta campanha eleitoral. A saúde surge como o tema prioritário, mencionado por quase 90% dos inquiridos, seguida da educação, com 54,2%. Outras questões, como a segurança (25%) e a imigração (30%), também estão em destaque, refletindo o debate público dos últimos meses.

Paralelamente, o estudo indica que os portugueses responsabilizam diretamente Luís Montenegro pela atual crise política. Quase metade dos inquiridos (49,3%) considera que o primeiro-ministro é o principal culpado pela dissolução do Parlamento e pela necessidade de eleições antecipadas, enquanto apenas 28,4% atribuem essa responsabilidade ao PS. Ainda assim, Montenegro tem a imagem mais sólida perante o eleitorado, sendo visto como mais preparado para liderar o Governo do que Pedro Nuno Santos.

Com as eleições marcadas para 18 de maio e o prazo para entrega das listas de candidatos a terminar a 7 de abril, os partidos aceleram a preparação da campanha. A AD já anunciou os seus cabeças de lista, incluindo Hernâni Dias, ex-secretário de Estado, enquanto o PS definirá as suas escolhas na reunião da Comissão Política Nacional na próxima quarta-feira. No entanto, o cenário político continua incerto, com os eleitores a preferirem uma governação sem entraves, independentemente de quem sair vencedor nas urnas.

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