Sondagem dá vantagem a Obama sobre Trump em cenário presidencial de 2028, apesar de ambos estarem impedidos

Inquérito, realizado pela Research Co. junto de 1.002 adultos entre 13 e 15 de janeiro, revela divisões claras por grupos demográficos

Francisco Laranjeira

Uma sondagem recente indica que o ex-presidente Barack Obama teria uma vantagem de 11 pontos percentuais sobre Donald Trump num hipotético confronto presidencial em 2028, apesar de nenhum dos dois poder candidatar-se constitucionalmente. De acordo com a ‘Newsweek’, Obama reuniria 44% das intenções de voto, contra 33% de Trump, num cenário que a própria Constituição dos Estados Unidos impede de se concretizar.

O inquérito, realizado pela Research Co. junto de 1.002 adultos entre 13 e 15 de janeiro, revela divisões claras por grupos demográficos. Segundo a ‘Newsweek’, Obama lideraria de forma expressiva entre eleitores latinos e negros, com 57% e 69%, respetivamente, enquanto Trump teria vantagem entre eleitores brancos, com 41%, e entre espectadores da ‘Fox News’, com 55%. A margem de erro do estudo é de 3,1 pontos percentuais.

Limites constitucionais bloqueiam um regresso à Casa Branca

No entanto, a 22ª Emenda da Constituição americana impede qualquer pessoa de ser eleita presidente mais de duas vezes, o que exclui tanto Obama, que cumpriu dois mandatos entre 2009 e 2017, como Trump, atualmente no seu segundo mandato. Para que ex-presidentes pudessem voltar a concorrer, seria necessária uma alteração constitucional, exigindo a aprovação de dois terços da Câmara dos Representantes e do Senado, bem como a ratificação por três quartos dos estados.

Apesar de rumores persistentes sobre uma eventual tentativa de Trump de procurar um terceiro mandato, alimentados pelo próprio e por alguns aliados, não existe qualquer iniciativa legislativa séria no Congresso nesse sentido. Produtos com a inscrição “Trump 2028” começaram a ser vendidos no início de 2025, enquanto no campo democrata surgiram especulações sobre um possível regresso de Obama, segundo relata a ‘Newsweek’.

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Opinião pública dividida e resistência a mandatos prolongados

A sondagem mostra ainda que 34% dos inquiridos apoiariam a possibilidade de um presidente cumprir três mandatos, mas quase 60% manifestam oposição a essa hipótese. Em janeiro, o senador estadual da Califórnia Tom Umberg apresentou um projeto de lei destinado a permitir que o secretário de Estado da Califórnia exigisse prova de elegibilidade constitucional aos candidatos presidenciais, prevendo a exclusão de Trump da cédula eleitoral de 2028 caso fosse considerado inelegível.

As reservas quanto a um eventual regresso de Obama foram expressas publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Obama, que afirmou esperar que o marido não volte a candidatar-se, defendendo que oito anos no cargo são suficientes e sublinhando a necessidade de dar espaço a novos líderes políticos.

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Donald Trump, por seu lado, voltou a alimentar a polémica ao questionar publicamente, numa publicação na rede social ‘Truth Social’, se deveria tentar um quarto mandato, numa referência provocatória aos limites constitucionais atualmente em vigor.

Apesar do debate público e das sondagens hipotéticas, não há qualquer esforço abrangente no Congresso para rever a Constituição. O foco político nos Estados Unidos está agora voltado para as eleições intercalares de 2026, nas quais os democratas procuram recuperar assentos e os republicanos defender as suas maiorias no Congresso, num contexto em que os cenários de 2028 permanecem, para já, meramente especulativos.

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