Sondagem: AD perde fôlego entre os mais pobres. Chega e Esquerda recuperam terreno

Na primeira sondagem da Pitagórica divulgada após os debates televisivos entre todos os partidos com assento parlamentar, a coligação Aliança Democrática (AD), liderada por Luís Montenegro, regista uma quebra significativa nas intenções de voto, sobretudo entre as classes sociais mais baixas.

Revista de Imprensa

Na primeira sondagem da Pitagórica divulgada após os debates televisivos entre todos os partidos com assento parlamentar, a coligação Aliança Democrática (AD), liderada por Luís Montenegro, regista uma quebra significativa nas intenções de voto, sobretudo entre as classes sociais mais baixas. Segundo a mais recente tracking poll publicada pelo JN, TSF e TVI/CNN, a AD desce um ponto percentual para 34,8%, interrompendo o ciclo de crescimento que vinha registando nos quatro dias anteriores. Apesar de ainda manter uma vantagem de mais de oito pontos sobre o PS, que desce ligeiramente para 26,6%, a sondagem revela um realinhamento nas preferências do eleitorado, com ganhos relevantes para o Chega (16,8%) e para os partidos à esquerda do PS.

A queda da AD é atribuída, em particular, à perda de apoio entre os eleitores das classes baixa e média-baixa. No início da sondagem, a 2 de maio, 28% destes eleitores apoiavam a AD, mas essa percentagem caiu para 22% no dia mais recente. Em contrapartida, o PS tornou-se o partido preferido deste segmento, com 28% das intenções de voto. Já entre a classe média e alta, a AD continua a liderar com 31%, distanciando-se do PS (18%) e mantendo vantagem também sobre o Chega (10%) e a Iniciativa Liberal (9%).

À direita, as tendências são divergentes. O Chega mantém um crescimento moderado, subindo 0,3 pontos percentuais pelo terceiro dia consecutivo. Já a Iniciativa Liberal sofre uma quebra de 0,7 p.p., fixando-se nos 6,8%, anulando praticamente os ganhos registados no dia anterior, quando uma possível coligação com a AD parecia aproximar-se da maioria absoluta. À esquerda, o Bloco de Esquerda é o que mais beneficia com a nova distribuição do eleitorado: sobe 0,5 p.p. para 2,3%, seguido do Livre com mais 0,4 p.p. (3,8%) e da CDU com mais 0,3 p.p. (3,5%). O PAN permanece estável nos 0,6%.

Apesar da quebra da AD no último dia analisado, Luís Montenegro foi considerado o vencedor dos debates por 27,4% dos inquiridos, uma subida de 2,5 pontos em relação ao dia anterior. Pedro Nuno Santos foi o segundo mais convincente (12,8%) e André Ventura seguiu-se com 9,8%. Contudo, esta boa prestação não se traduziu em ganhos eleitorais para Montenegro. Pelo contrário, poderá ter sido ofuscada por polémicas mediáticas recentes, nomeadamente a revelação de contratos milionários entre o Estado e a empresa Spinumviva, cujos novos clientes foram divulgados precisamente nos dias em que as entrevistas foram realizadas.

A exposição mediática continua a penalizar Luís Montenegro, cuja notoriedade subiu de 64% para 77% desde o início da tracking poll, acompanhada de um aumento das opiniões negativas. Situação semelhante vive Pedro Nuno Santos, embora com um impacto menos acentuado: reconhecido agora por 71% dos inquiridos (contra 56% no início), o líder socialista mantém um saldo negativo de 14 pontos nas opiniões. Em contraste, Rui Rocha (IL) e Rui Tavares (Livre) beneficiam da visibilidade: ambos têm saldos positivos de opinião, com o primeiro a registar 14 pontos favoráveis e o segundo a crescer proporcionalmente face ao seu reconhecimento.

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A sondagem revela ainda que a AD lidera nas intenções de voto em todas as regiões do país, exceto em Lisboa, onde empata com o PS (23%). No Sul e Ilhas, a coligação de Montenegro sobe quatro pontos num só dia, alcançando 37%. No Norte, porém, o PS regista o seu desempenho mais fraco (19%), região onde também mais perdeu face à sondagem anterior. A indecisão permanece significativa, afetando 18,4% do eleitorado, sobretudo mulheres e jovens. A redução do número de indecisos é esperada à medida que a campanha entra na reta final e os partidos intensificam os esforços de convencimento até às eleições.

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