Sete meses depois das eleições legislativas de 18 de Maio, o panorama político português mantém-se praticamente inalterado no que respeita às intenções de voto, apesar de um contexto marcado pelo agravamento da crise na saúde, pelo endurecimento da política migratória, pelo regresso dos grandes incêndios no último Verão e por uma nova fase de tensão social expressa numa greve geral. A principal mudança registada é a forte quebra na avaliação ao Governo da Aliança Democrática (AD), que atinge agora o pior valor desde que Luís Montenegro assumiu funções como primeiro-ministro.
De acordo com uma sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica, divulgada pelo Público, a AD (PSD/CDS) lidera com 29% das intenções de voto, mantendo uma vantagem confortável sobre o Chega, com 24%, e o PS, com 23%, agora sob liderança de José Luís Carneiro. Estes resultados reproduzem quase na íntegra a correlação de forças saída das legislativas, sugerindo que, se houvesse eleições neste momento, o desfecho seria muito semelhante ao de Maio.
A hierarquia dos partidos de menor dimensão também replica o cenário eleitoral anterior, com a Iniciativa Liberal em quarto lugar, com 9%, seguida do Livre, com 6%. A CDU (PCP/PEV) surge com 3%, o Bloco de Esquerda com 2% e o PAN abaixo de 1%. O JPP, que elegeu um deputado pela Madeira nas últimas legislativas, não obteve expressão relevante nesta sondagem e foi incluído na categoria de outros, branco ou nulo, reforçando a ideia de estabilidade na distribuição do voto partidário.
Embora a AD continue isolada na liderança, o estudo revela um equilíbrio técnico entre os partidos que sustentam o Governo no Parlamento e os principais partidos da oposição. Considerando a margem de erro de 2,8%, o melhor cenário estimado para o Chega (27%) e para o PS (26%) coincide com o pior cenário da AD (26%). O trabalho de campo decorreu entre 4 e 12 de Dezembro, captando apenas de forma parcial o impacto da greve geral realizada no dia 11.
Os dados confirmam ainda que Chega e PS continuam praticamente empatados na disputa pelo estatuto de maior partido da oposição, à semelhança do que aconteceu nas eleições de Maio, quando os socialistas obtiveram mais votos, mas o partido liderado por André Ventura conquistou mais mandatos parlamentares. Na intenção direta de voto, a AD recolhe 24%, seguida do Chega com 20% e do PS com 19%, enquanto 13% dos inquiridos se declaram indecisos.
É na avaliação ao Governo que surge o sinal mais negativo para o executivo de Luís Montenegro. Quase metade dos inquiridos (49%) classifica o desempenho do Governo como “razoável”, mas 32% fazem uma avaliação negativa, somando as respostas “mau” (19%) e “muito mau” (13%), o pior registo desde Abril de 2024. Apenas 17% expressam uma opinião positiva. Estes valores representam uma degradação clara face às medições anteriores, quer em Março deste ano, quer em Outubro de 2024, quando as avaliações negativas eram significativamente mais baixas e a perceção pública do executivo se mostrava substancialmente mais favorável.














