A Sonae Arauco está a concluir a terceira fase do seu projeto de Investigação e Desenvolvimento Florestal, iniciado em 2020, tendo identificado um conjunto de 10 famílias de pinheiro-radiata mais bem adaptadas às condições de solo e clima em Portugal.
As conclusões preliminares apontam para um ganho médio de 26% no crescimento destas árvores, um avanço que a empresa acredita poder reforçar a produtividade e sustentabilidade da floresta nacional.
O projeto, denominado “Gene Radiata”, avaliou ao longo de seis anos um total de 244 famílias de pinheiro-bravo e pinheiro-radiata, através de 12 ensaios instalados em diferentes regiões do país, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Para além do crescimento, os investigadores analisaram também a taxa de sobrevivência, tendo as 10 famílias agora selecionadas demonstrado um desempenho consistente em ambos os critérios.
“Todo este conhecimento vai agora ser partilhado com os produtores florestais em Portugal e, a médio prazo, pretendemos fomentar a reprodução em escala das plantas selecionadas, num contributo decisivo para o aumento da rentabilidade da cadeia de valor do pinheiro”, Nuno Calado, Wood Regulation & Sustainability Manager da Sonae Arauco.
Os resultados revelam ainda que estas famílias apresentam um desempenho genético superior em altura e maior previsibilidade em diferentes tipos de solo e clima, o que poderá reduzir o risco associado à instalação de novas plantações e aumentar a sua rentabilidade.
O projeto surge num contexto de declínio significativo da área de pinhal em Portugal. Entre 1995 e 2015, o país perdeu cerca de 27% da área plantada, sendo que, na última década, os grandes incêndios — nomeadamente os de 2017 e 2025 — destruíram cerca de 300 mil hectares. A estes fatores somam-se fenómenos climáticos extremos, como a depressão Kristin, que causaram danos relevantes em povoamentos de pinheiro-bravo.
No total, a iniciativa envolveu cerca de 200 mil sementes provenientes de Portugal, Espanha, França e Chile. Numa primeira fase, 100 mil sementes foram desenvolvidas em viveiro, seguindo-se a plantação de dezenas de milhares de árvores em regiões do Norte e Centro, abrangendo diferentes tipos de solo, desde areias a xistos e granitos.
Entre 2020 e 2022, foram plantadas 42 mil árvores em 12 locais de ensaio, distribuídos por 35 hectares em concelhos como Pombal, Figueira da Foz, Lousã, Mangualde, Oliveira de Frades, Arouca, Ribeira de Pena, Cabeceiras de Basto e Vila Nova de Cerveira. Desde então, as plantações têm sido monitorizadas de forma contínua, com base em indicadores-chave de desenvolvimento.
As conclusões agora alcançadas deverão ser partilhadas com o setor florestal nacional, num esforço para promover a adoção destas variedades e contribuir para inverter a tendência de redução da área de pinheiro em Portugal.













