Solidão pode aumentar inflamação e ter impacto semelhante a fumar 15 cigarros por dia, alerta médico

O médico de urgências e divulgador científico Alex Wibberly alertou para um dos fatores de risco mais negligenciados na saúde moderna: a solidão.

Pedro Zagacho Gonçalves

O médico de urgências e divulgador científico Alex Wibberly alertou para um dos fatores de risco mais negligenciados na saúde moderna: a solidão. Nas suas intervenções no canal de YouTube @DrAlexWibberley, o especialista defende que o isolamento social não deve ser encarado apenas como um problema emocional, mas como um fator biológico com consequências profundas para o organismo.

Wibberly refere que “a solidão aumenta os teus marcadores de inflamação e prevê mortalidade prematura de forma comparável a fumar 15 cigarros por dia. Não é uma metáfora, é o que mostram os estudos”, com base em investigação longitudinal que acompanha populações ao longo do tempo.

Segundo o médico, o envelhecimento não resulta apenas do passar dos anos. A partir dos 40 anos, o organismo inicia um conjunto de alterações que explicam a redução de energia, força e capacidade de recuperação.

Entre os principais mecanismos estão o desgaste mitocondrial, alterações hormonais e inflamação crónica. Estes fatores, combinados com resistência à insulina, aumentam o risco de doenças cardiovasculares e de declínio cognitivo.

Ainda assim, Wibberly sublinha que estes processos não são totalmente determinados pela biologia, uma vez que os hábitos de vida podem acelerar ou travar este envelhecimento.

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A solidão como fator biológico de risco
Um dos elementos mais subestimados, segundo o especialista, é a falta de ligação social. A investigação científica mostra que o isolamento não afeta apenas o estado emocional, mas também o funcionamento fisiológico do corpo.

A solidão está associada ao aumento da inflamação sistémica, à alteração dos níveis de cortisol — a hormona do stress — e a um risco acrescido de mortalidade precoce. Alguns estudos chegam a comparar o seu impacto ao de fumar cerca de 15 cigarros por dia.

Este efeito tem explicação biológica indireta. Pessoas com uma vida social ativa tendem a manter mais movimento diário, rotinas mais estáveis, melhor alimentação e sono de maior qualidade. Quando essa rede desaparece, perde-se também uma proteção essencial para a saúde.

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Propósito de vida e longevidade
Diretamente ligado à ligação social está o conceito de propósito de vida. Wibberly refere estudos realizados em zonas conhecidas como “Zonas Azuis”, onde é mais comum viver além dos 90 ou 100 anos, que indicam que ter uma razão para acordar todos os dias é um dos fatores mais importantes para a longevidade.

O médico sintetiza esta ideia afirmando que “ter um propósito de vida é um dos fatores que melhor predizem a longevidade”.

Neste contexto, a reforma pode representar um ponto crítico, já que implica perda de rotina, atividade e interação social. Quando não há substituição destes elementos, pode verificar-se um declínio físico e cognitivo mais acelerado.

O impacto do sedentarismo diário
Além da solidão, Wibberly destaca o papel do sedentarismo. Mais do que o exercício físico estruturado, importa a chamada termogénese de atividade não associada ao exercício (NEAT), que inclui ações como caminhar, subir escadas ou estar simplesmente de pé.

A diferença entre uma pessoa ativa e uma sedentária pode chegar a cerca de 1.000 calorias diárias de gasto energético. Contudo, o estilo de vida moderno reduziu drasticamente estas atividades, aumentando o sedentarismo.

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Mesmo quem pratica exercício físico regular pode estar em risco se passa muitas horas sentado, uma vez que esse comportamento está associado a maior risco cardiovascular independentemente do exercício.

O médico sublinha ainda que o envelhecimento é um processo cumulativo. Cada doença, lesão ou intervenção médica deixa uma marca no organismo. Se a recuperação não for completa, essas pequenas perdas vão-se acumulando ao longo do tempo.

Por isso, manter uma boa condição física e metabólica funciona como uma reserva protetora contra problemas futuros, ajudando a preservar a saúde e a funcionalidade ao longo dos anos.

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