«Sobreviver a pão e água» volta hoje às ruas. Restauração pede «ajudas reais para minimizar o estado dramático»

O movimento «a pão e água», de empresários do setor da restauração, marcou uma nova manifestação para esta quarta-feira, em Lisboa depois de outras ações estarem já a acontecer um pouco por todo o país.

Simone Silva

O movimento «Sobreviver a pão e água», de empresários do setor da restauração, marcou uma nova manifestação para esta quarta-feira, em Lisboa depois de outras ações estarem já a acontecer um pouco por todo o país. A ação na capital vai acontecer às 15h30, junto à Assembleia da República.

Contactado pela ‘Executive Digest”, o porta-voz do movimento, Miguel Camões, revela que espera «que o resultado prático destes protestos seja que o Governo nos ouça e nos dê neste momento ajudas reais e com impacto efetivo, para minimizar o estado dramático em que o setor, de uma forma geral, se encontra».

«As medidas têm sido muito poucas, ou as que têm sido tomadas não são suficientes para a realidade que neste momento existe nas empresas e o que nós queremos com esta manifestação nacional na Assembleia da República é que o Governo de uma vez por todas nos ouça e tome medidas que de facto vão de encontro às necessidades atuais», afirma.

Miguel Camões indica que apesar de o movimento já ter realizado outras ações em várias cidades, nomeadamente Porto, ou Faro, ainda não foram suficientes para que houvesse uma atitude firme do Governo. «Vão saindo algumas medidas avulsas desde as últimas manifestações», mas que não respondem à «situação grave em que nos encontramos».

Concretamente sobre o protesto desta quarta-feira o responsável refere que «à semelhança do que aconteceu nas outras ações, o movimento será espontâneo, popular e totalmente apartidário», revela. «Temos uma grande expectativa, as pessoas estão a organizar-se cada um com os seus meios para que consigam vir do Norte e Sul do país até Lisboa», esperando-se mais de 40 autocarros.

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E porque a manifestação ocorre em tempos de pandemia, Migue Guimarães não deixa de sublinhar que todas as medidas de segurança serão cumpridas. «Desde logo todos são obrigados a usar máscara, cumprindo depois todas as regras e recomendações gerais da DGS, do distanciamento físico dentro do possível», afirma dizendo que são feitos apelos nesse sentido.

Para além de Lisboa, também a Avenida dos Aliados, no Porto, já foi palco destas ações por parte dos empresários, sendo que na última, os ânimos exaltaram-se, resultando em confrontos com a polícia, sem no entanto, haver qualquer detenção.

«Foi completamente um ato isolado da própria manifestação em si, um ato único que aconteceu porque os ânimos estavam exaltados, as pessoa vivem situações muito dramáticas, já de faltar bens essenciais em casa, o que causa muita revolta e infelizmente às vezes não é fácil controlar», refere o porta-voz, sublinhado que «foi uma situação sem exemplo».

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De recordar que o anúncio inicial da ação de Lisboa foi feito na semana passada pelo chefe de cozinha, Ljubomir Stanisic, através da sua página de Facebook. O responsável tem sido um dos rostos conhecidos mais «acesos» por esta luta, onde os empresários exigem melhores condições para o setor, através de criação de mais apoios.

“A audição é uma faculdade. O ouvir é uma arte”
Está na hora de nos fazermos TODOS ouvir.

Esta luta não é de A, B ou…

Publicado por Ljubomir Stanisic em Quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Na legenda do anúncio, Ljubomir escreve: «A audição é uma faculdade. O ouvir é uma arte. Está na hora de nos fazermos TODOS ouvir. Esta luta não é de A, B ou C: não é da restauração, da discoteca, da hotelaria, da loja da esquina que sempre conhecemos aberta… é de todos que sofrem com medidas desmedidas, desproporcionais, injustas.», pode ler-se.

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«Está na hora de TODOS, desligados de qualquer cor partidária ou cor clubística, sem violência e ligados à segurança que este contexto nos pede, TODOS ligados num sentimento de necessidade de justiça, fazermos chegar a NOSSA voz de descontentamento a quem tem de chegar… Lutar para que essa voz chegue a quem te de chegar!», afirma concluindo: «E é isto que vamos fazer, e fazer, e fazer, até que nos ouçam!»

Ainda na terça-feira o chefe voltou a relembrar a população sobre o protesto. «25/11, 15h30: é à frente da Assembleia da República, que vos esperamos amanhã, para pedir ao Governo que nos ouça. Queremos uma manifestação pacífica e segura, sem partidos políticos envolvidos e com respeito por todos», apela.

«Por isso peço-vos que não se esqueçam de trazer as máscaras, manter o distanciamento e a calma. Vamos dar o exemplo. Amanhã, 15h30, Assembleia da República. Criamos, logo resistimos», acrescenta Ljubomir Stanisic.

25/11, 15h30: é à frente da Assembleia da República, que vos esperamos amanhã, para pedir ao Governo que nos ouça….

Publicado por Ljubomir Stanisic em Terça-feira, 24 de novembro de 2020

 

Profissionais exigem, entre outras medidas, atribuição de apoios imediatos a fundo perdido

Este movimento abrange empresários e profissionais de vários setores afetados pelas medidas impostas em virtude do regime do novo estado de emergência, de entre os quais restaurantes, bares, discotecas, organizadores de eventos, músicos, atores, fornecedores e produtores, entre outros.

Para atenuar as dificuldades sentidas, os empresários exigem a adoção de um conjunto de 16 medidas, entre as quais a atribuição de apoios imediatos a fundo perdido, aos bares e discotecas, eventos, restauração e comércio, pela redução de horário, bem como, a todos os fornecedores diretos e indiretos.

Pede-se ainda a reposição dos horários de restaurantes, bares e comércio local e defende-se a isenção da Taxa Social Única (TSU), a redução no pagamento das rendas e do IVA determinando o pagamento automático em seis prestações.

Os empresários exigem igualmente a abertura imediata e injeção direta nas empresas, sem a contrapartida de ter os pagamentos às Finanças e à Segurança Social em dia, e de defendem o acesso dos sócios-gerentes ao lay-off.

O movimento quer também o reforço imediato das linhas de crédito, retirando limitação de acessos às novas linhas a quem já recorreu às linhas anteriores, a isenção de impostos nas rendas dos imóveis arrendados, durante o período de proibição de exercício da atividade e prolongamento dos contratos de arrendamento, com duração de mais de três anos.

Por outro lado, pede-se a anulação de multas por pagamento atrasado de impostos e o prolongamento dos apoios da Segurança Social aos trabalhadores independentes.

«Há oito meses (março 2020), muitos de nós encerramos os nossos estabelecimentos dias antes do governo o decretar, por uma questão de saúde pública e com o intuito de proteger não só os nossos clientes, mas também os nossos colaboradores», referem numa nota enviada à imprensa.

Os contestatários sublinham que depois de dois meses o Governo decidiu implementar restrições, que os fez concluir «que estar encerrados durante esse longo período de nada nos serviu», dizem, acrescentando: «Restaurantes, cafés, teatros, salas de espetáculo a trabalhar a 50% da capacidade, bares e discotecas encerrados por completo, assim como todos os fornecedores afetos a esta área, a trabalharem com quebras na faturação na ordem dos 90%», criticam.

«Como é possível um negócio, estando fechado, e sem data de abertura prevista, poder fazer uma gestão eficaz dos seus recursos e ao mesmo tempo suportar encargos como água, energia, renda, impostos, empregados, internet, telefone, sistemas de faturação, contas correntes com fornecedores a entrarem em litígio, etc?», questionam, exigindo uma mudança.

Na mesma nota os empresários dizem ter pensado inicialmente «que tudo iria voltar ao normal em breve», mas garantem: «Nunca estivemos tão enganados. Entretanto, as contas acumulam-se e o duradouro silêncio do Estado é avassalador».

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