Uma análise divulgada hoje revela que, enquanto a independência habitacional varia significativamente conforme a faixa etária, os jovens continuam a enfrentar obstáculos financeiros e de acesso a imóveis, o que impede muitos de realizarem o sonho de ter a sua própria casa.
O estudo “Habitação para jovens em Portugal: desafios e tendências atuais”, desenvolvido pela Century 21, mostra que, entre os jovens dos 36 aos 40 anos, 88,6% já vivem de forma independente, enquanto apenas 49,5% dos jovens de 20 a 27 anos conseguiram emancipar-se. Além disso, mais de 65% dos jovens não independentes planejam alcançar a independência nos próximos dois anos, com um forte desejo de liberdade, pontuando 8,5 em uma escala de 0 a 10. No entanto, o alto custo das habitações (43%) e os rendimentos insuficientes (30%) permanecem como as principais barreiras.
O estudo também evidencia a escassez de imóveis acessíveis, com 1% da oferta disponível em Lisboa abaixo dos 100.000 euros, o que torna difícil para os jovens com menor capacidade de financiamento conquistar a independência. Em Lisboa e Porto, a maior parte da oferta imobiliária está concentrada em faixas de preço acima de 300.000 euros, o que exclui grande parte da população jovem.
Entre os jovens independentes, 59% vivem em arrendamento, enquanto 34% possuem imóveis com hipoteca. A maioria destinam menos de 50% do seu rendimento ao pagamento da habitação, com uma parte considerável tendo feito sacrifícios, como cortar em poupanças para o futuro (42%) ou em viagens (37%).
Além disso, a pesquisa revela que as expectativas de muitos jovens em relação à habitação não são atendidas. A localização e o tamanho da casa são fontes comuns de insatisfação, especialmente na Área Metropolitana de Lisboa, onde 27,6% dos jovens consideram o tempo de deslocação para o trabalho ou estudo excessivo.







