A Ordem dos Enfermeiros emitiu um comunicado alertando para a grave situação nos serviços de urgência obstétrica em Portugal e apelando à intervenção imediata do Ministério da Saúde.
Nos seguimento de uma série de urgências de ginecologia e obstetrícia encerradas, e vários problemas relatado, segundo a Ordem, a atual crise está a comprometer o direito das grávidas a cuidados de saúde materna e obstétrica seguros e de qualidade, colocando em risco o bem-estar das mães e dos bebés.
A Ordem dos Enfermeiros afirma que a situação é “uma grave restrição ao direito de acesso a cuidados de saúde materna e obstétrica seguros, atempados e de qualidade”. A entidade destaca que “não podemos deixar o Serviço Nacional de Saúde refém de humores individuais” e pede uma resposta eficaz por parte do Ministério da Saúde para resolver a crise.
A Ordem defende que o atendimento a grávidas de baixo risco deve ser assegurado “integralmente pelos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (EEESMO)”. Esta medida, segundo comunicado, permitiria “libertar os médicos obstetras para que possam desempenhar outras funções, nomeadamente o acompanhamento de situações patológicas e de risco, que exigem a sua intervenção especializada”. A Ordem sublinha que “Portugal deve alinhar-se com as recomendações internacionais”, que recomendam a criação de Centros de Parto Normal junto dos Serviços de Obstetrícia, destacando que tais centros garantem uma assistência adequada a grávidas de baixo risco.
O comunicado lamenta a situação atual em que muitas grávidas são obrigadas a deslocar-se para hospitais a distâncias superiores a 200 km das suas áreas de residência, o que revela “a urgente necessidade de uma reforma na rede de atendimento às grávidas”. A Ordem dos Enfermeiros afirma que é crucial garantir “que o acesso aos cuidados de saúde seja equitativo e de qualidade para todas as mulheres”.
A Ordem também destaca a importância de otimizar a utilização dos recursos humanos especializados. “Portugal conta com um número significativo de Enfermeiros Especialistas, cuja competência técnica e científica é internacionalmente reconhecida”, aponta o comunicado. Os Enfermeiros Especialistas estão capacitados para assegurar a totalidade da assistência às grávidas de baixo risco, o que permitiria uma gestão mais eficiente dos recursos humanos e promoveria um parto “mais humanizado e seguro”.
A Ordem dos Enfermeiros reafirma a sua disposição para colaborar com o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos na implementação das reformas necessárias nas maternidades do país. “Estamos disponíveis para colaborar na implementação das reformas necessárias para melhorar a qualidade do atendimento nas maternidades”, conclui o comunicado.














