Sistema de saúde global pode ser a solução para evitar a próxima pandemia, diz especialista

O Mundo ainda não ultrapassou a actual pandemia que enfrenta e até é dificíl começar a pensar em recuperação, quando países como Portugal e Espanha prolongam os respectivos estados de emergência. Porém, há quem consiga olhar ainda mais para diante: o autor de “Armas, Genes e Aço” e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles acredita que o próximo vírus pode causar mais danos.

Em entrevista ao jornal Público, Jared Diamond afirma que a pandemia de COVID-19 poderia ter sido evitada: «A maneira mais fácil de ter evitado esta crise teria sido a China ter aprendido com a crise da SARS [síndrome respiratória aguda grave], de 2003», aponta o especialista, sublinhando que a China deveria ter fechado os seus mercados de animais em vez de esperar mais de um mês para o fazer após o início da pandemia.

Jared Diamond critica ainda a forma como a sociedade está a lidar com o problema. Em vez de prepararem uma resposta global, os países estão a estabelecer estratégias independentes, na opinião do professor. Se falamos de uma pandemia global, também temos de falar de uma resposta global, até porque «enquanto houver algum país que continue a ser uma fonte de infecção, o resto do Mundo estará sujeito a uma reinfecção».

E qual será o segredo para evitar uma nova pandemia? Além de restringir o comércio de animais na China (o que inclui também o comércio de animais selvagens), Jared Diamond propõe a instituição de um sistema de saúde global. O professor acredita que essa seria uma consequência feliz da actual crise, tendo em conta que os países têm a oportuniade de finalmente perceber que as doenças podem ser transmitidas rapidamente através de aviões, por exemplo. E se podem ser transmitidas rapidamente desta forma, também as curas e controlos de epidemias se devem poder espalhar rapidamente.

«O próximo vírus pode causar mais danos porque a taxa de mortalidade deste coronavírus é de apenas cerca de 2%. Poderíamos ter tido uma epidemia de varíola, peste ou ébola, que produziram taxas de mortalidade de 30 a 70%. Devíamos estar gratos por esta ser de apenas 2%», afirma ainda.

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