Sismo em Portugal: Porque é que não recebemos um alerta nacional da Proteção Civil no telemóvel?

O comandante nacional da Proteção Civil, André Fernandes, esclareceu que a ausência de alertas não se deveu a uma falha, mas sim ao facto de o sismo não ter atingido a magnitude necessária para ativar os planos especiais de emergência.

Pedro Zagacho Gonçalves

Na madrugada desta segunda-feira, um sismo de magnitude 5,3 na escala de Richter abalou várias regiões de Portugal, especialmente a zona costeira, acordando milhares de portugueses que sentiram o tremor. O epicentro localizou-se a cerca de 60 quilómetros a oeste de Sines. Após o evento, muitas pessoas tentaram obter informações através de telemóveis, websites e contactos telefónicos de autoridades, mas depararam-se com a ausência de alertas e dificuldades em aceder a informações cruciais. A falta de comunicação imediata levantou questões sobre a resposta das autoridades e o porquê de não ter sido emitido um alerta semelhante aos que são enviados em situações de risco elevado de incêndios.

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Porque não foi emitido um alerta nacional, como nos casos de tisco elevado de incêndio?

O comandante nacional da Proteção Civil, André Fernandes, esclareceu que a ausência de alertas não se deveu a uma falha, mas sim ao facto de o sismo não ter atingido a magnitude necessária para ativar os planos especiais de emergência. “Nada de anormal,” afirmou Fernandes durante uma comunicação à imprensa, ocorrida pouco depois das 8h da manhã. O responsável explicou que os planos especiais, incluindo os de comunicação, apenas são ativados quando o sismo regista uma magnitude superior a 6,1 na escala de Richter. Como o evento em questão não atingiu essa magnitude, não houve necessidade de uma comunicação diferente ou mais abrangente.

Segundo André Fernandes, os procedimentos habituais determinaram que só às 5h40, após a confirmação de que não existiam danos pessoais ou materiais significativos, é que se considerou apropriado emitir uma comunicação oficial. Essa comunicação foi divulgada através da página de Facebook da Proteção Civil, por volta das 6h, onde se informava sobre o sismo, as medidas de autoproteção recomendadas e um link para o site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), onde os cidadãos podiam registar os seus relatos sobre o tremor.

Entretanto, muitos cidadãos que tentaram aceder diretamente ao site do IPMA para obter informações ou reportar o sismo depararam-se com dificuldades de acesso. O site esteve temporariamente indisponível devido ao elevado número de acessos simultâneos, uma situação que o próprio IPMA reconheceu estar “em avaliação”. A origem do problema, segundo o organismo, parece ter sido o “excesso de procura” de informação logo após o sismo.

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Este congestionamento de acessos não se limitou ao site do IPMA. As linhas telefónicas de vários serviços de emergência, incluindo os bombeiros, também registaram um aumento significativo de chamadas. Apesar deste pico, André Fernandes assegurou que todos os que conseguiram ser atendidos receberam as informações e recomendações necessárias para lidar com a situação.

A resposta das autoridades foi também comentada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que defendeu a atuação da Proteção Civil, embora tenha admitido que a comunicação à população poderia ter sido mais rápida. “Funcionou o que devia ter funcionado,” afirmou o Presidente, salientando que apenas sismos de magnitude superior a 6,1 na escala de Richter requerem a ativação de procedimentos especiais. Ainda assim, Rebelo de Sousa reconheceu que há lições a tirar, especialmente no que toca à necessidade de fornecer informação mais imediata aos cidadãos: “Sei que a Proteção Civil está atenta a pormenores de comunicação e à capacidade de fazer face àquilo que é dar resposta a parte dos portugueses a quererem informação — e já não é a primeira vez que acontece — muito, muito imediata. Também disso se retiram lições para o futuro.”

Utilizadores de smartphones Android receberam alerta da Google
Os utilizadores que recorreram ao Google para confirmar o sismo foram provavelmente os primeiros a obter uma confirmação oficial. Embora inicialmente houvesse alguma confusão na informação sobre a magnitude do sismo (com valores reportados entre 5,0 e 5,9), a plataforma forneceu rapidamente a localização do epicentro e confirmou o evento sísmico.

Aina assim, alguns utilizadores de smartphones Android receberam um alerta automático enviado pela Google, graças à ligação do sistema à rede global de sismógrafos. No entanto, os utilizadores de iPhones tiveram de esperar que a informação fosse veiculada pelos meios de comunicação tradicionais, para terem a certeza de que o que tinham sentido foi, de facto, um sismo.

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