Sindicato do SEF entrega pré-avisos de greve para o aeroporto de Lisboa. Paralisações previstas em maio e junho

Sindicato dos Inspetores de Investigação, Fiscalização e Fronteiras – SIIFF considera que a situação “é insustentável”.

Pedro Zagacho Gonçalves

Os meses de maio e junho vão ficar marcados por greves dos inspetores do SEF no Aeroporto de Lisboa.

O Sindicato dos Inspetores de Investigação, Fiscalização e Fronteiras – SIIFF, entregou esta sexta-feira pré-avisos de greve para as paralisações, que ocorrerão este mês e no próximo, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, segundo a CNN Portugal.

As greves estão marcadas para 22 e 29 de maio e 05, 12, 19 e 26 de junho, em protesto contra a incerteza quanto ao futuro profissional da classe.

Num pré-aviso de greve enviado na quinta-feira ao ministro da Administração Interna e a outros responsáveis governamentais, o sindicato lembra que em 06 de abril foi aprovado o decreto-lei que estabelece o regime de transição dos trabalhadores do SEF, na sequência do processo de fusão/reestruturação, tendo a aprovação sido precedida de uma negociação coletiva entre o Governo e os sindicatos, com “o objetivo de discutir o futuro dos mesmos, salvaguardando os seus direitos”.

Segundo o sindicato, a dita negociação visou acautelar ainda a transição da extinta Carreira de Investigação e Fiscalização – CIF do SEF, para a Carreira de Investigação Criminal da Polícia Judiciária, em conformidade com uma lei de novembro de 2021.

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“Da negociação mencionada, não resultou qualquer compromisso entre as partes que reflita os assuntos discutidos e decisões assumidas pelo Governo. Certo é que até à presente data, é desconhecido o teor do decreto-lei aprovado, assim como qualquer calendário que nos permita aferir das datas de concretização/operacionalização de todo este processo”, critica o sindicato.

A estrutura sindical considera que “passados mais de três anos desde que o Governo deu a conhecer a sua intenção de extinguir o SEF, é inaceitável que os trabalhadores da CIF/SEF continuem a ser confrontados com este clima de incerteza e remetidos a um alheamento total quanto ao seu futuro”.

Perante “esta indefinição”, e até que o Governo se digne a dar conhecimento do decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros e apresente, “com o necessário grau de certeza, a calendarização da operacionalização do processo de transição dos trabalhadores da CIF/SEF”, o sindicato diz não restar “outra alternativa senão a de demonstrar profunda indignação, através do recurso a todos os meios legalmente previstos”, nomeadamente a greve.

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Assim, comunica que os funcionários da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras -CIF/SEF irão exercer o direito à greve em todas as Unidades Orgânicas do SEF, exceto no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, em 22 e 29 de maio e 05, 12, 19 e 26 de junho próximos.

Em causa no protesto está a extinção do SEF e a criação da Agência Portuguesa para Minorias, Migrações e Asilo, e do Alto-Comissariado para as Migrações.

Os novos organismos foram aprovados a 6 de abril, mas o sindicato alega desconhecer o que consta do documento validado em Conselho de Ministros.

“A situação é insustentável, não podemos continuar neste limbo. Já fez um mês que foi aprovado em conselho de ministros e nós não sabemos nada do que consta no documento”, afirmou o dirigente do SIIF.

A propósito da nova agência, para a qual está previsto um período de transição de seis meses, a ministra dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, explicou que a sua criação representa uma mudança de paradigma na politica de migrações em Portugal.

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“Definitivamente, separa-se desta politica as polícias para um lado, que terão a sua função, e aquilo que deve ser uma visão de politica de acolhimento e integração nesta nova agência”, afirmou.

Por esse motivo, a APMMA vai integrar o Alto-Comissariado para as Migrações, com o intuito de assegurar uma admissão mais célere e um melhor acolhimento dos migrantes.

“A agência tem também as competências da proteção humanitária e responsabilidades na política de asilo, na definição e aproximação das políticas migratórias a nível europeu”, acrescentou Ana Catarina Mendes, insistindo que a mudança traduz “uma visão mais humanista, mais solidária e mais ágil para aqueles que aqui chegam.

“Muitas das dependências do SEF continuam a estar afetas à agência para que haja proximidade em todo o território”, referiu.

A ministra dos Assuntos Parlamentares explicou ainda que com a integração do Alto-Comissariado das Migrações na APMMA, o “Programa Escolhas”, para o combate à delinquência juvenil e exclusão social de crianças e jovens, passará para o Instituto Português da Juventude.

A reestruturação do SEF foi decidida pelo anterior Governo e aprovada na Assembleia da República em novembro de 2021, tendo já sido adiada por duas vezes.

O processo foi, entretanto, adiado em novembro desse ano, até maio de 2022, devido à pandemia de covid-19, por proposta do PS, e adiado novamente pelo atual Governo no final de abril de 2022.

A nova Agência Portuguesa para as Minorias, Migrações e Asilo (APMMA) vai receber 680 funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a renovação das autorizações de residência fica no Instituto de Registos e Notariado (IRN).

Estes dados foram transmitidos pela ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, em que adiantou que a APMMA terá um período de transição de seis meses após a entrada em vigor do decreto lei.

*Com Lusa

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