Sindicato critica proposta da Ordem que aumenta número de partos por equipa médica

O Sindicato Independente dos Médicos considerou hoje preocupante a proposta da Ordem dos Médicos que aumenta o número de partos a realizar por equipas mínimas de urgência de Ginecologia e Obstetrícia, advertindo que irá reduzir a segurança.

Executive Digest com Lusa

O Sindicato Independente dos Médicos considerou hoje preocupante a proposta da Ordem dos Médicos que aumenta o número de partos a realizar por equipas mínimas de urgência de Ginecologia e Obstetrícia, advertindo que irá reduzir a segurança.

Na passada segunda-feira foi publicado em Diário da República o Aviso n.º 5247/2023 para consulta pública prévia de alteração ao Regulamento da Constituição das Equipas Médicas nos Serviços de Urgência, da autoria da Ordem dos Médicos (OM) e do seu Colégio de Especialidade de Ginecologia-Obstetrícia.

O Colégio da Especialidade propõe a revisão da norma de composição das equipas de recursos humanos mínimos de especialistas de Ginecologia -Obstetrícia para as urgências da especialidade, bloco de partos, urgência interna e apoio ao internamento, substituindo a norma constante do regulamento que entrou em vigor em 24 de outubro de 2022.

No regulamento em vigor é definido uma equipa de dois especialistas em presença física até 1.200 partos anuais, sendo que na proposta em consulta pública aumenta para 1.500 partos anuais. Até 700 partos anuais, o segundo especialista pode ser substituído por um interno do 5.º ao 6.º ano e até 500 partos por um interno do 5.º ao 6.º ano “que, excecionalmente, poderá estar à chamada, a menos de 10 minutos do hospital, durante o período noturno, desde que esteja garantida a disponibilidade em presença física de um especialista de Cirurgia Geral para situações de emergência”.

A proposta sublinha que “em situações excecionais, em localidades especialmente carenciadas, localizadas em regiões afastadas dos grandes centros urbanos, o número de partos por ano poderá ser inferior ao indicado (700).

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Entre 1.500 a 2.500 partos anuais terá de haver três especialistas em presença física (1.200/2.200 atualmente) e a partir de 2.500 quatro especialistas (2.200 atualmente), refere a proposta consultada pela Lusa.

Segundo a proposta, deverá haver um acréscimo de um especialista por equipa quando se registar mais de 1.000 partos por ano; nos serviços dos hospitais de referência regional ou nacional, de apoio perinatal diferenciado, com maior complexidade, designadamente maior número de internamentos em cuidados intensivos, de grávidas, puérperas e/ou recém-nascidos, e/ou nos serviços com maior número de atendimentos não urgentes não assegurados por consulta aberta ou outro protocolo e em todas as situações que os responsáveis clínicos considerem relevantes.

Para o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) esta proposta “é preocupante” numa altura em que “muitas destas urgências são mantidas a funcionar com o enorme esforço de médicos”.

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Em declarações à Lusa, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, disse que foi com “preocupação, estupefação e indignação” que viu esta proposta cerca de cinco meses depois de o regulamento ter entrado em vigor, apelando à OM que “arrepie caminho”.

“Invoca-se nesta proposta de alteração o objetivo de melhoria das normas técnicas da especialidade e a formação médica de qualidade em Ginecologia e Obstetrícia e para se atingir este objetivo, curiosamente, o Colégio da Especialidade propõe diminuir o número de médicos especialistas das respetivas equipas de urgência”, critica o sindicato em comunicado.

Por outro lado, acrescenta, “invoca-se a qualidade, mas reduz-se a segurança do exercício técnico dos atos da especialidade e reduzem-se as condições de trabalho de quem tem que acorrer a diferentes chamadas em simultâneo, por vezes espalhados por locais distantes de um hospital: Urgência, bloco de partos, urgência interna e internamento”.

O SIM sublinha que para o exercício de muitos atos médicos desta especialidade, é necessária a intervenção simultânea de dois especialistas.

“Com equipas constituídas por apenas dois médicos, deixa-se ao abandono nesse período de tempo, todas as restantes áreas de intervenção dos mesmos médicos, escalados em serviço de urgência”, advertiu.

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“São factos deveras conhecidos que há falta de médicos especialistas de ginecologia e obstetrícia no SNS, existe grande dificuldade em manter os serviços de urgência da especialidade e maternidades a funcionar, muitos destas urgências são mantidas a funcionar com o enorme esforço de médicos, muitos dos quais já com idade de poderem não executar mais este trabalho, mas que continuam, para manter este serviço às suas populações”, realçou o SIM.

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