Sindicato critica novos horários de entrada na mina de Neves-Corvo

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) criticou hoje os novos horários de entrada dos funcionários na mina de Neves-Corvo, no concelho alentejano de Castro Verde, mas a concessionária garantiu que não houve “qualquer reação negativa”.

Executive Digest com Lusa

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) criticou hoje os novos horários de entrada dos funcionários na mina de Neves-Corvo, no concelho alentejano de Castro Verde, mas a concessionária garantiu que não houve “qualquer reação negativa”.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o STIM acusou a administração da empresa Somincor, concessionária da mina situada no distrito de Beja, de não estar “preocupada com a vontade da maioria dos seus trabalhadores relativamente à alteração do horário de entrada”.

Em causa está o facto de a Somincor ter decidido alterar o arranque dos turnos da lavaria das 06:00 e 18:00 e dos turnos da mina das 08:30 e 20:30 para um início único, às 07:30 e às 19:30.

De acordo com o STIM, esta alteração dos horários mereceu a contestação dos trabalhadores, que reuniram em plenários realizados nos dias 27 e 28 de setembro.

Após estas reuniões, “foi enviado ofício à administração [da Somincor] com o abaixo-assinado subscrito pela maioria dos trabalhadores, onde os mesmos reivindicam a manutenção do horário de entrada atual para os trabalhadores da área da mina”.

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Quanto aos trabalhadores da lavaria, o STIM reconheceu que nada tem a opor a que o horário de entrada “seja ajustado para a proposta da empresa”.

“É pois incompreensível que a empresa não atenda a maioria dos trabalhadores, o que revela a sua total falta de vontade a que os trabalhadores possam ter uma melhor conciliação da sua vida profissional com a sua vida pessoal”, pode ler-se no comunicado.

O STIM lembrou ainda “que o horário de entrada atual foi escolhido pela maioria dos trabalhadores em 2019, numa votação levada a cabo pela empresa, aquando da alteração do tempo de jornada de trabalho que passou para as 10 horas e 42 minutos no fundo da mina”.

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“É pois incompreensível que a empresa venha agora alterar os horários de entrada acordados, sem qualquer consulta aos trabalhadores da área da mina e, sobretudo, sem qualquer razão plausível”, afirmou o STIM.

No comunicado, a estrutura sindical lamentou também o impacto que a alteração dos horários de entrada na mina “terá nas comunidades próximas e envolventes, com os disparos a serem efetuados às 06:30”.

Tudo isto levou o STIM a exortar os trabalhadores de Neves-Corvo “a encetarem todas as formas de luta que levem a administração a alterar a sua decisão e repor a justiça”.

Contactada pela Lusa, a administração da Somincor confirmou, em resposta por escrito, ter decidido alterar o início dos turnos da lavaria e da mina “para um início único, uniforme e coordenado”.

“Esta alteração também foi comunicada às comunidades envolventes, em duas reuniões que tiveram lugar no dia 30 de setembro, não tendo estas manifestado qualquer reação negativa”, acrescentou.

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Propriedade da multinacional sueco-canadiana Lundin Mining, a Somincor é a concessionária da mina de Neves-Corvo, que produz, sobretudo, concentrados de cobre e de zinco, assim como prata e chumbo, e onde trabalham cerca de 2.000 pessoas.

No ano passado, foram produzidas em Neves-Corvo um total de 108.812 toneladas de zinco e 33.823 toneladas de cobre, segundo o relatório de produção de 2023 e perspetivas para o triénio 2024-2026 divulgado pela Lundin Mining.

Em julho, a Somincor confirmou “a existência de contactos exploratórios” para a venda da sua operação em Portugal.

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