Sindicalistas afetos ao PSD na UGT apoiaram greve geral mas consideram ainda possível a desconvocação

O núcleo dos Trabalhadores Sociais-Democratas na UGT votou por unanimidade a favor da greve geral marcada para 11 de dezembro, apesar de manter a expectativa de que o protesto possa vir a ser desconvocado.

Pedro Gonçalves
Novembro 14, 2025
17:56

O núcleo dos Trabalhadores Sociais-Democratas na UGT votou por unanimidade a favor da greve geral marcada para 11 de dezembro, apesar de manter a expectativa de que o protesto possa vir a ser desconvocado. A posição foi confirmada esta quinta-feira à noite, após a reunião do Conselho Geral da central sindical, onde o avanço da paralisação foi aprovado por unanimidade e aclamação.

No entanto, segundo declarações de Pedro Roque Oliveira à CNN Portugal, ainda existe “margem de manobra” para evitar a greve. O dirigente sindical e deputado do PSD afirmou que “creio que, até ao dia da greve, a própria poderá ser desconvocada, se forem dados passos significativos nesse sentido”. O social-democrata considera que o recuo do Governo em vários pontos da proposta laboral — entre eles a reposição dos três dias de férias associados à assiduidade e a retirada da possibilidade de os trabalhadores pagarem por dois dias adicionais de férias — representa “um passo no caminho certo”, embora insuficiente.

Para Pedro Roque Oliveira, a solução só poderá surgir na concertação social, onde acredita que patrões, Governo e sindicatos “podem construir o tal entendimento” que evite a paralisação. Sublinhou que esse deve ser “o interesse de todos”, referindo que o primeiro-ministro “conseguiu pacificar salas de aula, esquadras, tribunais e hospitais”, criando “um clima de paz social propício ao desenvolvimento económico”. O dirigente lamenta que “por causa desta proposta e da discussão à volta dela, isto possa ser tudo posto em causa”, concluindo que “ninguém compreenderá isso”.

Apesar dos recuos anunciados, a UGT continua a considerar o anteprojeto laboral insuficiente, mantendo críticas a medidas que classifica como “linhas vermelhas”, nomeadamente a possibilidade de recurso a outsourcing após despedimentos coletivos e o banco de horas individual que pode elevar o horário semanal até 50 horas, mediante acordo. Ainda assim, Pedro Roque Oliveira insiste que “tudo é negociável” e que o processo exige “boa fé e espírito construtivo de todas as partes”. Diz conhecer “o primeiro-ministro, a senhora ministra e os parceiros”, e acredita que “há condições para chegar a um entendimento”.

O dirigente social-democrata defende ainda que o voto favorável dos sindicalistas ligados ao PSD salvaguarda a coesão interna da UGT. “A central sairia fragilizada” se o núcleo votasse contra, admitiu, reafirmando que os Trabalhadores Sociais-Democratas “respeitam integralmente a independência dos seus dirigentes” e que “não podemos transformar a UGT numa espécie de palco de pressões políticas ou partidárias”. A próxima semana será decisiva: o Ministério do Trabalho e a UGT vão reunir, e Pedro Roque Oliveira espera que “se dê mais passos de aproximação”, lembrando que “se foi possível, em 2012, em circunstâncias dramáticas, chegar a um acordo, como é que não é possível agora?”.

Na conferência de imprensa que confirmou a greve geral, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, reiterou que a central mantém a porta aberta ao diálogo. “Nunca fecharemos a porta à negociação”, afirmou, avisando contudo que “falhando, temos que estar preparados para a greve e para a luta”. Sobre as críticas do primeiro-ministro, que acusou a paralisação de servir os interesses do PCP e do PS, Mourão respondeu que a UGT tem “um histórico de 47 anos” e que sempre assinou acordos com governos de vários quadrantes políticos, garantindo que “as questões partidárias, se tivessem entrado nesta casa, eventualmente a UGT hoje já não existia”.

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