‘Sinal vermelho’ ao plástico preto: Estudo revela níveis perigosos de substâncias tóxicas em utensílios de cozinha e brinquedos

De acordo com o estudo, estas substâncias podem estar a ser transferidas dos resíduos eletrónicos para os produtos reciclados, com consequências graves para a saúde.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um estudo recente, publicado na revista Chemosphere, revelou que produtos comuns de plástico preto, como utensílios de cozinha, brinquedos e bandejas para carne, podem conter níveis elevados de retardadores de chama – substâncias químicas usadas para reduzir a inflamabilidade – que são proibidas na Europa. De acordo com o estudo, estas substâncias podem estar a ser transferidas dos resíduos eletrónicos para os produtos reciclados, com consequências graves para a saúde.

Megan Liu, autora principal do estudo e gerente de Ciência e Políticas da organização Toxic-Free Future, destacou um dos exemplos mais preocupantes, em declarações ao Huffington Post: moedas de piratas de plástico preto, brinquedos frequentemente usados por crianças, continham níveis elevadíssimos de retardadores de chama tóxicos. “Um dos produtos com os níveis mais altos de retardadores de chama foram as moedas de piratas de plástico preto, usadas por crianças”, afirmou Liu, referindo que o brinquedo apresentava concentrações de 22.800 partes por milhão (ppm) desta substância.

Produtos eletrónicos reciclados como fonte de contaminação

Os retardadores de chama mais perigosos detetados neste estudo são semelhantes aos utilizados em carcaças eletrónicas de aparelhos como televisores e outros equipamentos, segundo Liu. O estudo sugere que erros no processo de reciclagem dos resíduos eletrónicos estão a contaminar plásticos reciclados, que acabam por ser reutilizados em produtos de uso comum, como utensílios de cozinha ou brinquedos.

Uma das amostras analisadas, uma bandeja de plástico preto para sushi, revelou 11.900 ppm de éter de decabromodifenilo (decaBDE), um retardador de chama proibido nos Estados Unidos desde 2021 pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), devido à sua ligação comprovada com o desenvolvimento de cancro e outras doenças graves.

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De acordo com o estudo, 70% das amostras analisadas continham decaBDE, com níveis que variavam entre cinco e 1.200 vezes superiores ao limite imposto pela União Europeia, que estabelece um máximo de 10 partes por milhão. Estes valores são motivo de grande preocupação, uma vez que a União Europeia proibiu ou restringiu o uso de retardadores de chama bromados, conforme esclarecido pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA). Contudo, a EFSA alerta que, devido à persistência destas substâncias no meio ambiente, os riscos para a saúde pública ainda são uma preocupação.

A CNN, que divulgou os resultados do estudo, citou os investigadores afirmando que uma pessoa exposta a utensílios de cozinha contaminados, como espátulas e colheres de plástico preto, poderia estar sujeita a uma exposição diária média de 34,7 ppm de decaBDE.

Este nível de exposição, embora pareça baixo em comparação com as amostras mais contaminadas, pode ser significativo ao longo do tempo e representa um risco de saúde preocupante, especialmente para aqueles que manuseiam estes utensílios diariamente.

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Diante destes resultados alarmantes, Megan Liu recomenda algumas precauções que os consumidores podem tomar. A principal sugestão é substituir utensílios de plástico preto por alternativas de materiais diferentes, como madeira, aço inoxidável ou silicone, que não contêm estas substâncias tóxicas. Além disso, a limpeza e ventilação regular da casa também são recomendadas para remover o pó que pode estar contaminado com retardadores de chama.

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