A segunda mesa-debate da XXX Conferência Executive Digest – “Os caminhos para um Portugal Extraordinário”, com o tema ”Simplificação e Digitalização – os seus efeitos na produtividade e crescimento”, discutiu qual das ações deve vir primeiro: Simplificar ou digitalizar? Ou ambas?. Manuel Dias, CTO do Estado e Presidente da ARTE, Mário Sousa, Diretor de B2B dos CTT e Luísa Pestana, Administradora da Vodafone, apontaram caminhos para garantir que nos tornamos extraordinários por esta via.
Luísa Pestana respondeu que “na Vodafone temos esta visão de começar por simplificação dos processos, de forma mais ou menos radical, mais ou menos complexa”. “É fácil simplificar um processo, é difícil fazer uma simplificação radical. Quando há um legacy muito grande há que harmonizar processos para ter impacto no cliente, o que não é assim tão simples, perante o contexto tecnológico e de dados que temos visto nos últimos 5 anos. Mas é o caminho – a simplificação ‘by design’, por desígnio, para que a experiencia do cliente seja extraordinária”, começou por explicar
E a cibersegurança na era da Inteligência Artificial (IA), vem colocar desafios ou oportunidades? “O tema ganha importância enorme neste contexto que muda. Há 5 ou 6 anos estava focada em ataques de agentes externos, hoje tens esses agentes com IA, mais rápidos nas atividades, e por outro lado tens os colaboradores a usar plataformas e ferramentas de IA não certificadas, as chamadas ‘shadow AI’, e as implementações que se fazem podem ter vulnerabilidades.
Assim, segundo a administradora da Vodafone “já não temos de olhar só para fora, mas também para dentro”. Acelerar a velocidade é ter mais camadas de controlo, mas o que faz mais sentido é ter toda infraestrutura e arquitetura de sistemas desenhada para que controlos seja feitos por desígnio. Outra questão é a responsabilização de quem desenha o uso destes sistemas, e as competências que as pessoas têm de ter”, continuou, num aspeto que foi comum a todos os participantes no debate.
Manuel Dias, CTO do Estado e Presidente da ARTE, deu o exemplo da Carteira Digital de Empresa. “Somos muito bons em diagnósticos ao Estado, mas é nas soluções e execução, é onde falhamos. Passar à ação é o grande desafio para o Estado e para as empresas. Temos que nos focar nas ações concretas. A Carteira é iniciativa da ARTE e fomos pioneiros na Europa! Permite agilizar interação morosa com o Estado, em múltiplas ações e processos repetitivos. São as PMEs os principais alvos. Mas é importante olhar para o impacto das ações. O que fazemos deve ser orientado a metas de impacto. Há 10 mil a usar ativamente a usar a carteira, mas deviam ser 50 mi. Temos de promover e adotar o que fazemos bem. Mas esse é grade desafio”, sustentou, indicando que também há trabalho de literacia digital a fazer.
O Presidente da ARTE apontou ainda que falta perceber como usar IA. “Usamos muito pouco e leva ao tema das competências. O potencial não está minimamente concretizado”, diagnosticou.
Mário Sousa, Diretor de B2B dos CTT, também concordou que há que começar primeiro pela simplificação, e só depois dar o passo seguinte. “O que temos procurado fazer é ajudar a tornar processos mais simples e mais ágeis. Nos CTT tivemos um processo enorme em que tiramos experiência, mas quisemos aplicá-lo numa empresa especializada no grupo para digitalização, e quisemos tornar isto acessível a várias empresas. Com vários casos, tentamos democratizar abordagens e ajudar empresas a fazê-lo. Não é ciência espacial, mas é acessível a todos, ate às pequenas e medias empresas. Para digitalizar processos bem desenhados, temos que começar por simplificar, e depois sim seguir para a digitalização, alavancada pela IA, mas com foco sempre na execução.
O responsável alertou também que “não podemos querer fazer tudo sozinhos nas empresas”. Temos de criar pontes entre privados e públicos, para ajudar neste processo. Há papel importante do Estado, nas PMEs, que só por si tem dificuldades em encetar planos de transformação, e precisam de apoios – e o Estado pode ser o catalisador necessário.
A XXX Conferência Executive Digest decorre esta quarta-feira, na Culturgest, sob o tema “Os caminhos para um Portugal Extraordinário”, e conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Delta Q, Fidelidade, MC Sonae, Nova SBE, Randstad, Recordati, Steelcase, Tabaqueira/Philip Morris, Unilever, CTT, Lusíadas Saúde, Vodafone, Galp, e ainda com a parceria da Neurónio Criativo, Sapo, SENO. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.





