O dinheiro compra a felicidade para a grande maioria das pessoas, de acordo com as conclusões de um novo estudo: no entanto, nem todos ficam mais felizes conforme o seu rendimento aumenta. A investigação, conduzida pelos psicólogos Matthew Killingsworth (Wharton School da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos), Daniel Kahneman (vencedor do Prémio Nobel) e Barbara Mellers, concluiu que no grupo de pessoas mais infelizes, o patamar chega quando começam a ganhar cerca de 100 mil dólares.
O artigo, publicado na revista ‘Proceedings of the National Academy of Sciences’, a 1 de março último, tentou conciliar dois estudos anteriores, com diferentes descobertas, de Killingsworth e Kahneman, sendo que Mellers atuou como árbitro.
Kahneman e Angus Deaton descobriram, num influente estudo de 2010, que a felicidade aumentava constantemente até um determinado rendimento mas depois estabilizava – os investigadores concluíram que o bem-estar emocional médio aumentava geralmente até que as pessoas passassem a ganhar entre 60 mil e 90 mil dólares: passada essa barreira, a felicidade diminuía.
Já Killingsworth, por outro lado, num artigo de 2021, reevlou que a felicidade média aumentava consistentemente com o rendimento, ou seja, não existia um patamar de felicidade, o que contrariou a pesquisa de Kahneman.
No novo estudo, que resultou na reanálise dos dados dos dois estudos anteriores, Killingsworth, Kahneman e Mellers sustentaram que esse patamar existia apenas para entre 15 e 20% das pessoas menos felizes – a felicidade deles “aumenta rapidamente” numa faixa de rendimento mais baixa “antes de estabilizar abruptamente nos 100 mil dólares”, onde se encontra uma inclinação quase zero, “estatisticamente não significativa na faixa de rendimento mais elevada” descreveram os autores.
Assim, a “infelicidade que permanece” nesse grupo – que os investigadores garantir poder tratar-se de desgosto, luto ou depressão clínica – “não é aliviada pelo rendimento elevado”.
Para os demais, a felicidade “aumenta constantemente” junto com o rendimento entre o resto da população, apontaram: para 30% das pessoas mais felizes, a felicidade aumenta a uma taxa acelerada além do patamar dos 100 mil dólares.
“Na faixa baixa de rendimento, as pessoas infelizes ganham mais com o aumento do rendimento do que as pessoas mais felizes”, escreveram os investigadores. “Por outras palavras, a base da distribuição de felicidade sobe muito mais rápido do que o topo nessa faixa de rendimento. A tendência é invertida para rendimentos mais altos, onde pessoas muito felizes ganham muito mais com o aumento do que pessoas infelizes.”














