SIC: Portugal vai suspender vacinação com AstraZeneca em alguns grupos etários

Portugal vai suspender a vacinação contra a Covid-19 da AstraZeneca a alguns grupos etários, avança a ‘SIC Notícias’, adiantando que ainda no decorrer do dia de hoje será anunciada uma decisão oficial por parte das autoridades de saúde portuguesas.

Segundo a estação televisiva, no anúncio que está previsto para esta quinta-feira, serão dados ainda mais detalhes, nomeadamente, que grupos concretos vão deixar de ser vacinados com este fármaco, na sequência dos mais recentes desenvolvimentos, que ligam a vacina a tromboembolismos.

Esta tomada de posição surge após a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ter confirmado ontem uma “possível ligação” da AstraZeneca com os casos incomuns de coagulação sanguínea relatados em algumas pessoas que receberam a vacina, apesar de manter uma opinião positiva sobre o seu benefício.

De acordo com o regulador europeu, estes casos muito raros de coágulos de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de idade no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não se tenha chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.

Após o anúncio, vários países decidiram traçar limites e não administrar a vacina da AstraZeneca abaixo de certas idades por uma questão de segurança.

Espanha anunciou que vai continuar a administrar a vacina, mas agora apenas à população com mais de 60 anos, a mesma medida vai ser adotada pela Alemanha, Países Baixos, Itália, Estónia, Filipinas e Austrália. Outros países europeus tomaram medidas semelhantes, França e Bélgica decidiram destinar a vacina da AstraZeneca a pessoas com 55 anos ou mais. Já a Dinamarca anunciou que vai deixar de administrar a vacina.

Antes de serem conhecidos estes dados, a Coreia do Sul e o Canadá já tinham suspendido a vacinação com AstraZeneca a pessoas com menos de 60 e 55 anos, respetivamente, e a Finlândia e a Suécia estão a administrar a vacina desde o final de março apenas à população com mais de 65 anos.

A Alemanha também limitou, no final do mês de março, o uso da injeção a pessoas com mais de 60 anos e grupos de alta prioridade, após relatos de um raro distúrbio no sangue cerebral. A 1 de abril, a comissão de vacinas da Alemanha recomendou que as pessoas com menos de 60 anos que receberam a primeira injeção da vacina da AstraZeneca recebessem um produto diferente para a segunda dos

Esta quarta-feira, o Regulador britânico assumiu pela primeira vez os efeitos adversos causados pela vacina da universidade de Oxford e recomendou que a maioria das pessoas com menos de 30 anos deve receber uma vacina alternativa à da AstraZeneca, «sempre que possível».

Líderes portugueses pedem reposta coordenada da UE 

O primeiro-ministro, o Presidente da República e a ministra da saúde, apelaram na quarta-feira à união e «atuação coordenada» dos estados-membros em matéria de vacinas.

António Costa considera que as autoridades nacionais e todos os estados-membros da União Europeia (UE) devem respeitar as decisões da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e evitar tomar medidas unilaterais.

Para o governante, é «fundamental que, ao menos na UE, haja uma atuação coordenada» e aguarda que os técnicos tenham uma «posição clara, compreensível e que dê tranquilidade».

Já Marcelo Rebelo de Sousa indica que a polémica da AstraZeneca «é uma situação incómoda para a Europa como um todo» e sublinha que «os estados reagem de forma diferente» perante o surgimento de dúvidas sobre a eficácia das vacinas, o que não devia acontecer.

O facto de «não haver uma posição unida, clara e duradoura em matéria de vacinas», por parte dos estados-membros da UE, «perturba as opiniões públicas», defende.

Também Marta Temido defendeu uma «participação determinada» na construção do projeto da União Europeia da Saúde, alegando a necessidade de uma resposta europeia concertada à pandemia da covid-19. «Se permanecermos unidos, seremos mais fortes na nossa capacidade de resposta» à pandemia, salientou a responsável na quarta-feira.

Segundo a governante, esta necessidade de concertação no combate à covid-19 convoca «uma participação determinada na construção de uma União Europeia da Saúde», projeto que, num primeiro momento, implica a aprovação de um pacote legislativo específico.

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